Uganda ameaça fazer protestos similares aos do Egito

Membros da oposição em Uganda ameaçam fazer protestos similares aos do Egito, se as eleições presidenciais na próxima sexta-feira forem manipuladas, de modo a permitir que Yoweri Museveni estenda seu regime de 25 anos. Museveni deve ganhar outro mandato, e o exército e polícia do país provavelmente reprimirão qualquer tentativa de revolta.

AE, Agência Estado

12 de fevereiro de 2011 | 15h54

"Quando as pessoas são oprimidas por um longo tempo, quando perdem as esperanças em todos os processos...então surge um momento em que a raiva explode", afirmou o principal candidato da oposição, Kizza Besigye, em uma entrevista concedida à Associates Press.

Museveni, que assumiu o poder em 1986 como chefe de um exército de guerrilha, enfrenta Besigye e seis outros oponentes nas votações da próxima semana. O líder de longa data, que foi acusado de aniquilar dissidentes e anular os limites do mandato presidencial, alertou contra tumultos durante as eleições. "Ouço algumas pessoas falando sobre violência durante as eleições. Não haverá violência. Quem tentar fará por sua própria conta e risco", disse ele no começo deste mês.

Manifestantes pró-democracia no Egito derrubaram o presidente Hosni Mubarak na sexta-feira, após três décadas de regime autoritário. Analistas minimizam a possibilidade de uma revolta similar em Uganda. "Pode haver grupos pequenos vindo protestar, mas não será em larga escala", afirmou o analista de segurança Levi Ochieng. "A polícia e o exército agirão com força decisiva."

Besigye perdeu para Museveni nas eleições de 2001 e 2006, que foram contaminadas por intimação e violência. O secretário de Estado norte-americano, James Steinberg, disse durante uma visita ao Leste da África que a vontade dos eleitores ugandenses deve ser ouvida nas próximas votações. Ele se reuniu com Museveni e candidatos da oposição no começo deste mês.

"Para os Estados Unidos não se trata de indivíduos, e sim de instituições e processos, então o que é importante para nós é que haja um processo eleitoral e político transparente que permita aos candidatos concorrer e ter acesso à mídia", afirmou Steinberg. As informações são da Associated Press.

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