Ugandenses fazem protesto contra gays e pedem leis mais duras

Protesto é motivado pela cobertura de temas homossexuais feita por jornalista dos EUA no Leste da África

Associated Press e Agência Estado,

21 de agosto de 2007 | 14h50

Centenas de pessoas participaram nesta terça-feira, 21, de uma manifestação antigay na capital de Uganda e pediram a deportação de uma jornalista americana que cobre assuntos relacionados aos gays na nação do Leste da África. "Homossexualismo viola as leis de Deus, as leis da natureza e as leis de Uganda", afirmou o pastor Martin Ssempa, porta-voz da Coalizão Arco-Íris Inter-religiosa contra a Homossexualidade. "Estamos pedindo ao governo para ser duro e manter as leis de nosso país banindo essa prática repugnante apesar da grande pressão externa", ponderou. A homossexualidade é um crime que pode ser punido com prisão perpétua em Uganda. Uma coalizão de grupos cristãos, muçulmanos e bahá'is organizou o protesto. Centenas de pessoas se concentraram num parque de Kampala agitando faixas com mensagens antigays, incluindo cartazes onde se lia: "Deportem Roubos". Khaterine Roubos, uma jornalista de 22 anos de Minnesota, desembarcou na nação africana em junho para fazer um estágio de três meses no jornal Daily Monitor. Ela foi escalada para cobrir questões homossexuais no país. "Nós de Uganda temos valores. Se essa lady não pode nos respeitar, então é melhor que seja deportada", disse Eddie Semakula, um integrante da coalizão. "Ela está defendendo direitos para os homossexuais em um jornal que é lido até por crianças. Temos de proteger nossos filhos", explicou. O grupo está redigindo uma carta de protesto para Aga Khan - o líder espiritual dos 20 milhões de muçulmanos ismailis -, proprietário do jornal Monitor. Na semana passada, a comunidade gay de Uganda se manifestou publicamente pela primeira vez numa entrevista coletiva em Kampala. Muitos dos participantes usaram máscaras para esconder a identidade por medo de represálias. Ele pediram aos ugandenses para respeitarem seus direitos humanos e deixarem que vivam com dignidade. A maioria dos países da África tem leis proibindo o homossexualismo, e gays são freqüentemente acossados e agredidos em lugares públicos do continente.

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