Última brigada de combate dos Estados Unidos deixa o Iraque

Missão militar americana termina oficialmente dia 31; 50 mil soldados ainda ficarão no país

Agência Estado e Efe,

18 de agosto de 2010 | 20h41

Soldados do 4º batalhão da 9ª infantaria posam em 16/08, após cruzarem fronteira

 

KHABARI, KUWAIT- A última brigada de combate do Exército dos Estados Unidos deixou o Iraque e cruzou a fronteira do Kuwait na noite desta quarta-feira, 19 (quinta de manhã pelo horário local), fazendo com que o número de soldados americanos no país chegue a 50 mil, segundo anunciou hoje o capitão Christopher Ophardt.

 

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Ele afirmou que o movimento foi feito pela última unidade de veículos da 4ª Brigada Stryker, da 2ª Divisão de Infantaria.

 

Um dia antes, um atentado suicida deixou 61 mortos e mais feridos de 100 em Bagdá, quando uma bomba foi detonada em uma fila de de recrutas e soldados das forças iraquianas. O país tem visto um aumento da violência durante o mês sagrado do Ramadã.

 

"É um momento histórico", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, em declarações ao canal NBC. Crowley insistiu, no entanto, que a missão americana no país continua.

 

"Estamos acabando a guerra, mas não estamos acabando nossa missão no Iraque", disse. Segundo o porta-voz, os Estados Unidos têm um "compromisso a longo prazo" com o país.

A missão de combate dos EUA no Iraque terminará oficialmente no dia 31. A maior parte dos 4 mil soldados da brigada deixou o país a bordo de veículos blindados de transporte de tropas.

 

Algumas centenas de militares ficaram no Iraque para tratar de questões burocráticas e logísticas, mas devem deixar Bagdá ainda amanhã, disse Ophardt.

 

A partir do fim do mês, os norte-americanos manterão um contingente de cerca de 50 mil militares para logística e treinamento dos soldados iraquianos. Durante o "surge" (aumento dos soldados norte-americanos no país), entre 2006 e 2007, os norte-americanos chegaram a ter 165 mil homens no Iraque.

 

Nos últimos 18 meses, mais de 90 mil soldados americanos deixaram o país do Oriente Médio e, segundo o presidente Barack Obama, sob um acordo com o governo iraquiano, "todas as tropas estarão fora do Iraque até o fim do ano que vem".

 

Em sua campanha para a presidência, Obama prometeu encerrar a guerra, e após ser empossado garantiu que nem um soldado americano irá permanecer no Iraque após janeiro de 2011. Quando ele assumiu o poder, em janeiro de 2009, havia cerca de 140 mil soldados no país.

 

O Iraque ainda é extremamente frágil e suas lideranças políticas não chegaram a um acordo para formar um governo cinco meses após as eleições parlamentares.

 

Atualmente, 220 mil soldados e mais de 400 mil policiais integram as forças iraquianas. Segundo analistas, este número é insuficiente para manter a estabilidade do país.

 

A ONG Iraq Body Count, com sede na Alemanha, calcula que entre 97.000 e 106.000 iraquianos morreram desde o início da guerra.

 

A "Operação Liberdade Iraque" começou em 20 de março de 2003 durante a presidência de George W. Bush, que concluiu que o regime do ditador Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa que representavam uma ameaça para o Ocidente. Hussein foi derrubado e executado, mas tais armas nunca foram encontradas.

 

 

Desde então, o país mergulhou em um espiral de violência. A ONG Iraq Body Count, com sede na Alemanha, calcula que entre 97.000 e 106.000 iraquianos morreram desde o início da invasão americana.

 

Segundo o Departamento de Defesa afirmou nesta quarta, houve 4.419 baixas militares americanas desde o início da guerra.

 

 

Atualizado às 23h09

 

 

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