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Kevin Lamarque/REUTERS
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Biden e Putin trocam elogios, mas tensões entre EUA e Rússia persistem

Presidente americano classificou tom da cúpula como ‘bom’ e ‘positivo’, mas criticou comparações sobre direitos humanos

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 15h40
Atualizado 16 de junho de 2021 | 20h58

GENEBRA - O presidente americano Joe Biden e Vladimir Putin, da Rússia, saíram nesta quarta-feira, 16, de uma cúpula em Genebra trocando elogios. “O tom da reunião foi positivo”, disse Biden. “Não houve hostilidade”, garantiu Putin. O clima, no entanto, foi pesado e questões cruciais nas relações entre russos e americanos permanecem sem solução.

Na primeira reunião entre os dois, Biden e Putin discutiram armas nucleares, segurança cibernética, crises diplomáticas recentes, direitos humanos e o futuro das relações entre EUA e Rússia – segundo diplomatas russos e americanos. A avaliação dos dois presidentes, após a cúpula, foi um retrato da desconfiança entre o Kremlin e a Casa Branca.

Tanto Putin quanto Biden avaliaram que ainda há algum grau de distanciamento entre americanos e russos. Ao final do encontro, não houve convites para visitas mútuas e nenhum dos dois falou em “confiança” nos laços entre Moscou e Washington. Após a reunião, ambos deram sinais de que retaliações poderiam ocorrer, caso a relação se deteriore.

Biden e Putin deixaram Genebra com pelo menos um acordo concreto: os embaixadores dos dois países retornarão aos seus postos. Eles haviam sido convocados para consultas em março, após Biden sugerir, em entrevista à emissora ABC News, que Putin era um “assassino”. De resto, a tensão entre os dois era evidente durante a maior parte do encontro.

Biden disse ter pressionado o russo em uma variedade de questões e garantiu que seguirá exigindo uma correção de rumos do Kremlin, especialmente com relação ao tratamento dado ao líder opositor russo Alexei Navalni – condenado a 2 anos e 8 meses de prisão. “Deixei claro para o presidente Putin que continuaremos a levantar questões de direitos humanos”, afirmou o americano. “Eu fiz o que vim fazer.”

Putin defendeu a detenção de Navalni. “Ele sabia que estava infringindo as leis russas. Ele sabia que seria preso quando retornasse à Rússia, mas voltou mesmo assim”, disse. Na conversa, ele ouviu do presidente americano um alerta de que haveria consequências “devastadoras”, caso Navalni morra na cadeia. 

Outro ponto de tensão foi a onda de ciberataques sofrida por empresas e agências americanas. Todas, segundo a Casa Branca, carregam as digitais dos russos. Em maio, o maior gasoduto dos EUA teve de interromper suas operações em razão de uma invasão de hackers, prejudicando o fornecimento de combustível em vários Estados da Costa Leste. 

Ontem, Biden defendeu que sistemas relacionados à infraestrutura têm de ser respeitados e deveriam “estar fora dos limites” das tentativas de invasão. Putin, que sempre negou participação nos ciberataques, alegou que a Rússia também é alvo de hackers dos EUA e do Canadá. O presidente russo, no entanto, concordou em aprofundar nas negociações sobre segurança cibernética.

O desarmamento e o regime internacional de não proliferação nuclear, tema comum de todas as cúpulas entre presidentes americanos e líderes soviéticos, durante a Guerra Fria, também entrou na pauta. Putin defendeu que os dois países são responsáveis por garantir o equilíbrio estratégico nuclear mundial e prometeu negociar avanços nos tratados internacionais. 

Biden afirmou que a relação entre EUA e Rússia “precisa ser estável e previsível” e disse ter conversado com Putin sobre formas de evitar a volta de uma corrida armamentista. “A última coisa que ele quer, eu acho, é uma nova Guerra Fria”, afirmou o presidente americano. 

Após o encontro, Biden negou que a conversa tenha sido permeada por ameaças militares ou de sanções. O presidente americano, no entanto, afirmou que os EUA estão prontos para responder a qualquer ataque da Rússia. “Putin sabe disso”, disse. No fim, ele reconheceu que ainda “há muito trabalho a fazer”, mas declarou que a semana que passou na Europa cumpriu o objetivo de recolocar o governo americano como protagonista da geopolítica global: “Os EUA estão de volta”, celebrou Biden. / REUTERS, NYT e WP

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