Última fase de eleição do Egito deixa islamistas mais perto do poder

Resultados parciais apontam que Irmandade Muçulmana obteve cerca de um terço dos votos

Reuters

06 de janeiro de 2012 | 12h34

CAIRO - A Irmandade Muçulmana obteve mais de um terço dos votos no último turno das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento egípcio, segundo resultados parciais divulgados nesta sexta-feira, 6, mostrando que os islamistas devem dominar a legislatura.

 

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Proibida sob o governo do presidente deposto Hosni Mubarak, a Irmandade emergiu como a maior vitoriosa do levante que o derrubou, explorando uma base de apoio bem organizada para derrotar os demais grupos nas primeiras eleições legislativas livres em décadas no país.

 

O Partido Liberdade e Justiça, da Irmandade, obteve 37,5% dos votos no terceiro e último estágio da votação. Repetindo um padrão visto nos turnos anteriores. O Partido Nour, islamista linha-dura, ficou em segundo na maior parte dos distritos depois da votação nesta semana, mostraram resultados no site do partido.

Os islamistas devem obter grande influência na hora de forjar uma nova Constituição, que será redigida por um grupo de cem pessoas escolhidas pelo novo Parlamento, embora a Irmandade tenha prometido que egípcios de todas as convicções terão palavra.

Embora o sucesso da Irmandade e do Partido Nour tenham alarmado alguns egípcios e os governos ocidentais que apoiavam o ex-presidente Hosni Mubarak, não está claro até que ponto os islamistas rivais vão cooperar ou competir no novo Parlamento.

O Partido Nour busca a aplicação rígida da lei islâmica, e alguns analistas acreditam que a Irmandade, mais moderada, possa tentar uma aliança com grupos liberais para aliviar os temores de um Egito liderado por islamistas.

Por enquanto, os generais do Exército, que assumiram o poder em fevereiro, permanecerão onde estão. Eles devem continuar governando até o final de junho, quando o país então terá um novo presidente eleito para quem poderão passar o poder.

Os resultados oficiais da votação desta semana devem sair no sábado, mas levará mais tempo antes que o formato exato da câmara baixa de 498 cadeiras seja conhecido.

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