Última matéria de jornalista morta falava de gás sarin

Em seu ultimo artigo antes de ser assassinada entre Cabul Jalalabad, a jornalista do Corriere della Sera - Maria Grazia Cutulli, descreveu uma das bases militares mais importantes de Al Qaeda no Afeganistão. A reportagem, publicada hoje, foi realizada em Farm Hada - onde ela esteve junto com o enviado do jornal espanhol El Mundo Julio Fuentes, também morto. A base dista cerca de uma hora de carro de Jalalabad e ocupa uma superfície de 10 quilômetros quadrados. Por ela provavelmente passaram milhares de terroristas islâmicos. A jornalista teve a impressão de um lugar abandonado às pressas. Encontrou restos de comida, roupas, explosivos e principalmente uma caixa com dezenas de ampolas de gás sarin - uma das armas químicas mais conhecidas e perigosas. Inventado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o sarin provoca paralisia e edema pulmonar e foi usado em 1995 por fanáticos religiosos no metro de Tóquio. "As ampolas são finas como seringas de insulina. No rotulo está escrito em russo: gás sarin, e logo abaixo o antídoto a ser usado: atropina - a única substancia capaz de contrastar os efeitos letais". Maria Grazia Cutulli diz que o achado é um indício sinistro do arsenal que pode estar nas mãos dos homens de Osama Bin Laden e uma prova de que nos quartéis do bilionário saudita não há apenas metralhadoras, mísseis ou granadas mas também armas não convencionais que podem ser usadas em ataques terroristas em todo o mundo. "Durante anos aqui esconderam-se alguns dos homens mais procurados pelo FBI como Muhamad Atef, morto sexta-feira num bombardeamento americano", conta a jornalista. Segundo ela "entre todas as bases abandonadas pelos homens de Al Qaeda nesses dias após a fuga dos talebans, Farm Hada é umas das poucas que não foram bombardeadas pelos americanos". A repórter afirma que o proprietário das terras onde foi construída essa base é Younis Khalis - chefe histórico de Hezb-i-Islami, uma das facções que combateram a Jihad contra os soviéticos e que convenceu os talebans a deixarem o lugar na semana passada. Foi ele quem autorizou Bin Laden a construi-la em 1996. O próprio Khalis mora ali perto, numa das "construções escondidas atras de fileiras de muros", descreve Cutulli, "onde não faltava nada: água corrente, e luz fornecida por enormes geradores, aparelhos satelitares, arquivos e documentos. Hoje sobraram apenas meios militares, caminhões, peças de artilharia e um numero impressionante de munições além as ampolas de gás sarin".

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