Última tropa de combate dos EUA deixa Iraque

Repórter da NBC que viaja com os soldados americanos diz que batalhão antecipou-se à saída marcada para o dia 31 e partiu do país rumo ao vizinho Kuwait

REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

WASHINGTON

A última brigada de combate americana começou ontem a deixar o Iraque em um comboio rumo ao Kuwait, mais de sete anos após a invasão liderada pelos EUA que depôs o ditador Saddam Hussein, informou a TV NBC.

A partida das tropas, antes do dia 31, prazo estabelecido pelo presidente Barack Obama, representa o fim da polêmica guerra, já que ficarão no país cerca de 50 mil militares encarregados de treinar as forças de segurança iraquianas e de tarefas logísticas e administrativas.

"É um momento histórico", disse à NBC o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley. Ele insistiu que a saída não supõe o fim da missão americana no Iraque. "Estamos acabando a guerra, mas não estamos encerrando nosso trabalho no Iraque", disse, acrescentando que os EUA têm "um compromisso de longo prazo no país árabe".

Um repórter da NBC que está viajando com o comboio disse que as tropas da 4.ª Brigada de Combate seguiam ontem à noite para o Kuwait. Há atualmente 55 mil soldados americanos no Iraque. Quando Obama assumiu a presidência, em janeiro de 2009, havia 140 mil.

Durante sua campanha, Obama defendeu um fim responsável da guerra e, como presidente, ele garantiu explicitamente aos americanos que nenhum soldado dos EUA permanecerá no Iraque depois de 1.º de janeiro de 2012. Desde o início da guerra, em 2003, 4.400 americanos foram mortos e 32 mil feridos no Iraque.

Apesar de a violência ter sido profundamente reduzida desde o conflito sectário, entre 2006 e 2007, o Iraque ainda é extremamente frágil e seus líderes não conseguiram resolver uma série de questões políticas que podem facilmente levar a novos confrontos. Além disso, nenhum partido obteve maioria no Parlamento nas eleições de março e as coalizões rivais não conseguiram chegar a um acordo para formar um governo de união.

Há uma semana, o comandante das Forças Armadas iraquianas, general Babakir Zebari, advertiu que o Exército do Iraque não está preparado para a retirada das tropas americanas. Segundo o general, seria melhor que os EUA deixassem seus soldados no país árabe por pelo menos mais dez anos. Por meio de um porta-voz, o governo iraquiano reagiu às afirmações de Zebari, dizendo que não havia planos para renegociar a retirada americana no fim de 2011, apesar de admitir que o Exército não estará 100% pronto.

Atualmente, as forças de segurança iraquianas contam com 400 mil policiais e 220 mil soldados e diariamente dezenas de pessoas morrem vítimas de ataques a tiros ou atentados. Na terça-feira, 61 pessoas - a maioria recrutas e soldados iraquianos - morreram em um atentado suicida diante de um centro de recrutamento em Bagdá.

PARA LEMBRAR

Queda de Saddam não freou violência

O Operação Liberdade do Iraque teve início em março de 2003, quando os EUA lançaram seu primeiro ataque aéreo ao país, com o objetivo de depor Saddam Hussein e destruir supostos armazéns de armas de destruição maciça - cuja existência jamais foi provada. Saddam caiu em abril. Mas o país se desestabilizou e mergulhou na violência com a disputa política entre a maioria xiita, a minoria sunita - apoiada pela insurgência jihadista - e membros da etnia curda.

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