Ultimato de Chávez à RCTV vence hoje

Governo ameaça tirar TV também do sistema a cabo se ela não aceitar status que a obriga a transmitir falas presidenciais

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

A emissora opositora Rádio Caracas Televisão (RCTV), que agora transmite pelo sistema a cabo, tem até hoje para se registrar como uma ''''produtora de audiovisual nacional'''' na Venezuela, caso contrário o governo promete tirá-la do ar.O prazo foi estabelecido na semana passada pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel). O registro como ''''produtora nacional'''' obrigaria a RCTV a obedecer a todas as regras criadas pelo governo para o setor e transmitir os discursos feitos pelo presidente Hugo Chávez em cadeia nacional - algo que a emissora vinha se recusando a fazer desde que começou a veicular sua programação por cabo, no dia 16.No ar desde 1953, a RCTV era a única emissora de alcance nacional que se mantinha na oposição ao presidente Chávez. No dia 27 de maio, porém, ela foi removida do Canal 2 da TV aberta porque o governo se negou a renovar sua concessão. Ao começar a transmitir por cabo, a emissora mudou sua sede para Miami, ampliou seu sinal para o Caribe, Aruba, Bonaire e Trinidad e Tobago e passou a se apresentar como ''''RCTV Internacional''''. Com isso, seus diretores começaram a exigir o status de ''''produtora de audiovisual internacional'''', o que permitiria à emissora escapar da obrigação de transmitir as mensagens presidenciais.Representantes das operadoras de TV a cabo pediram ontem que o governo Chávez estendesse o prazo para o registro da RCTV. ''''Os parâmetros previstos na legislação venezuelana (para definir o que é um produtor nacional) são muito subjetivos'''', disse o presidente da Câmara de Televisão por Assinatura, Mario Seijas. ''''Queremos mais claridade no tema'''', completou.Ainda ontem, o Tribunal Supremo de Justiça proibiu dois jornais do interior da Venezuela de publicar imagens sangrentas de vítimas de crimes. O governo costuma acusar a oposição de explorar a revolta da população com os altos índices de criminalidade do país a fim de prejudicar a imagem da gestão Chávez.

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