AFP PHOTO / REPRIEVE
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Último britânico preso em Guantánamo é libertado

Shaker Aamer estava preso na base americana desde fevereiro de 2002; ele ajudou a organizar uma greve de fome com mais de 100 presos e geralmente atuava como um porta-voz não oficial do local, fornecendo detalhes sobre a vida na prisão para seus advogados

O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2015 | 09h07

LONDRES - Um homem saudita, com residência britânica desde 1996, que emergiu como um líder rebelde entre os presos durante quase 14 anos de confinamento na base americana de Guantánamo, em Cuba, foi libertado nesta sexta-feira, 30, e já pode se juntar a sua família na Grã-Bretanha.

A decisão de libertar Shaker Aamer veio após uma campanha publicitária e um pedido do primeiro-ministro da Grã-Bretanha David Cameron ao presidente americano Barack Obama para resolver o caso do último prisioneiro britânico de Guantánamo.

“Ele precisa primeiro ir para um hospital e depois se encontrar com sua família”, disse Clive Stafford Smith, um dos advogados de Aamer. Ele é o 15º libertado de Guantánamo em 2015. No momento, há 112 presos na base americana.

A libertação de Aamer faz parte do novo impulso de Obama para tentar fechar a instalação aberta pelo líder anterior, George W. Bush, após os atentados de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova York.

Shaker Aamer, de 48 anos, disse aos seus advogados que procuraria atendimento médico na Grã-Bretanha em razão das preocupações a respeito de sua saúde. Ele fez repetidas greves de fome enquanto estava em Guantánamo.

O saudita recebeu mais atenção da imprensa nos últimos anos do que qualquer outro prisioneiro, com exceção dos cinco que enfrentaram julgamento de uma comissão militar por sua suposta atuação no planejamento e apoio aos ataques do 11 de setembro.

Aamer nasceu na Arábia Saudita e tem residência britânica desde 1996 pois casou-se com uma cidadã da Grã-Bretanha. Ele queria voltar para Londres, onde moram seus quatro filhos, incluindo um garoto que ele nunca viu. Ele trabalhou como tradutor para uma empresa de advocacia de 1994 a 2001.

Veja também: Especial - Base naval dos EUA em Guantánamo

O saudita disse que foi ao Afeganistão para ajudar a administrar uma escola para meninas, mas fugiu após o caos da invasão americana. Ele foi capturado pela Aliança do Norte e entregue aos EUA como recompensa. Foi levado à Guantánamo em fevereiro de 2002.

O Departamento de Defesa dos EUA divulgou que ele havia sido acusado de ter ligações com o terrorismo. Autoridades americanas disseram também que ele dividia um apartamento no final da década de 1990 com Zacarias Moussaoui, condenado de ter participado da conspiração para os atentados ao World Trade Center. Os EUA nunca acusaram Aamer de qualquer crime.

O recém-libertado passou grande parte do tempo em Guantánamo nas unidades de disciplina do Campo 5, setor do centro de detenção onde os prisioneiros são deixados sozinhos em celas cercadas de paredes de metal e concreto.

Aamer ajudou a organizar uma greve de fome envolvendo mais de 100 presos e normalmente atuava como um porta-voz não oficial, fornecendo detalhes da vida em Guantánamo para seus advogados. /ASSOCIATED PRESS e AFP

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