Trevor Samson / AFP
Trevor Samson / AFP

Último desenho de Nelson Mandela irá a leilão

Depois de deixar a presidência da África do Sul, em 1999, líder sul-africano iniciou série de gravuras sobre Ilha de Robben, onde ficou preso por 18 anos

AP, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2019 | 20h50

Dos 27 anos em que Nelson Mandela esteve preso por desafiar o regime segregacionista na África do Sul, 18 foram na Ilha de Robben. Ali, em sua cela, Mandela só podia escrever cartas. Depois de ser solto, ele governou a África do Sul e se aposentou em 1999, quando começou a ter aulas de desenho e pintura. 

Em 2002, ele decidiu voltar à ilha para fazer uma série de esboços. Sob o olhar atento de seu professor de arte, Varenka Paschke, que o ajudou com a composição básica dos esboços e método das aplicações de cor, Mandela fez diversos desenhos.

Os desenhos ficaram guardados até 2016, quando a família decidiu leiloar as 22 gravuras feitas por Mandela, com carvão e lápis de cera coloridos. Os desenhos foram vendidos e a renda revertida para a fundação beneficente criada por Mandela, que ajuda portadores do HIV na África do Sul. 

Uma nova pintura, que permaneceu no acervo da família Mandela, será vendida em leilão por sua filha Makaziwe Mandela ainda este ano. “Para meu pai, a arte era uma boa maneira de se expressar ou de tentar aceitar sua história”, disse Makaziwe. “Eu não gostaria de dizer demônios, mas os desenhos eram uma tentativa de ele chegar a um acordo com toda a sua vida.”

A obra mostra a porta da cela em que Mandela esteve preso por 18 anos – com uma chave do lado de fora. O dinheiro arrecadado também será doado para caridade. O valor estimado é de até US$ 90 mil. 

A Ilha de Robben, na África do Sul, foi construída em 1959 e era uma prisão de segurança máxima para negros. Em 1982, o líder sul-africano foi transferido da ilha para a prisão de Pollsmoor, na Cidade do Cabo. Mandela foi libertado em 1990 e os últimos prisioneiros foram libertados da Ilha de Robben em 1991. O lugar foi declarado Patrimônio Histórico da Humanidade. / AP

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