Tang Chhin Sothy / AFP
Tang Chhin Sothy / AFP

Último mergulhador a deixar caverna na Tailândia relata momentos dramáticos

Chaiyananta Peeranarong conta que a energia elétrica e as bombas para retirar água do local pararam de funcionar logo após o último membro do grupo ser resgatado

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 09h41
Atualizado 12 Julho 2018 | 14h32

MAE SAI, TAILÂNDIA - A energia elétrica e as bombas para retirar água pararam de funcionar, o que tornou imperativo deixar a caverna, contou o último mergulhador a deixar a caverna na Tailândia, após o resgate dos 12 garotos e seu treinador de futebol.

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Na noite de terça-feira, as últimas cinco pessoas resgatadas haviam acabado de ser retiradas, quando de repente se ouviu um grito do lugar mais delicado do trajeto de saída - uma galeria tubular por onde se passava com muita dificuldade.

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"O australiano que supervisionava a passagem começou a gritar dizendo que a bomba d'água tinha deixado de funcionar", disse Chaiyananta Peeranarong, de 60 anos, ex-comandante da Marinha tailandesa. "Se não se bombeasse a água desse lugar, só seria possível sair com um cilindro de oxigênio", explicou ele, relatando os últimos instantes da saída dramática.

Os últimos mergulhadores "correram" então para passar por esse lugar, um pesadelo por ser tão estreito. Chaiyananta deixou os colegas passarem e saiu por último. Teve tempo apenas de passar antes de o lugar ficar totalmente submerso. "A água já chegava na cabeça, quase ao ponto de precisar de um cilindro de oxigênio", contou.

O ex-comandante tailandês explicou que a prioridade da equipe internacional de especialistas, da qual fazia parte, era garantir que os meninos não entrassem em pânico. Por isso, alguns foram sedados e adormecidos, como mostra um vídeo divulgado na quarta-feira pela célula de crise. "Os médicos verificavam constantemente o estado e o pulso”, disse Chaiyananta.

"Disseram à imprensa que os garotos deveriam aprender a mergulhar. Eles não comiam ou dormiam há dias. Como teriam encontrado energia para praticar? Era absurdo", criticou ele.

A célula de crise afirmou que os mergulhadores que permaneceram com o grupo antes da saída o ensinaram a se familiarizar com o equipamento para mergulhar.

"Precisávamos apenas que soubessem como respirar e não entrar em pânico na água. Precisávamos apenas que se sentissem seguros, que tudo iria bem", disse.

Entre os 13 principais socorristas estão os britânicos Stanton e John Volanthen, que encontraram os garotos a cerca de 4 km da entrada da caverna. / AFP

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