Jon Nasca/REUTERS
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Último sobrevivente das Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola morre aos 101 anos

Josep Almudever Mateu ingressou no exército aos 17 e lutou contra o fascismo; história é contada em documentário

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2021 | 15h57

Correções: 26/05/2021 | 13h27

PARIS - O último sobrevivente das Brigadas Internacionais, que alistou estrangeiros para lutar contra o fascismo durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), morreu aos 101 anos na França.

Nascido em Marselha e com dupla nacionalidade espanhola e francesa, Josep Almudever Mateu ingressou no exército republicano em 1936, quando tinha 17 anos, e lutou em Teruel antes de se ferir. Depois de se recuperar, ele se alistou nas Brigadas Internacionais, cujas façanhas alcançaram status lendário por meio das obras de escritores e cineastas como Ernest Hemingway, John dos Passos, George Orwell e Andre Malraux.

Mateu foi capturado em Alicante em 1939, quando o lado republicano perdeu a guerra, passando um tempo em campos de prisioneiros e cadeias. Quando ele saiu,  voltou a enfrentar o fascismo entre 1944 e 1947 antes de ir para o exílio na França.

A Associação Espanhola de Amigos das Brigadas Internacionais confirmou a morte de Mateu no último domingo, 24. "É com o coração pesado que nos despedimos de Josep, o último de nossos admirados brigadeiros ainda vivo", disse a presidente da associação, Almudena Cros, em seu site nesta terça-feira, 25.

"Um homem de grande inteligência, com um coração forte, endurecido nas batalhas e nas prisões, ele nunca deixou de denunciar o fato de que a República Espanhola foi cruelmente abandonada à sua sorte", disse Cros.

A história de Mateu foi apresentada no documentário O Último Brigadeiro (2018) e nas suas memórias O pacto de não intervenção. República Pobre (2014). Fundada três meses após o início da Guerra Civil em outubro de 1936, as brigadas atraíram cerca de 35 mil membros de 53 países e sofreram 10 mil baixas durante o conflito.

Os 9 mil franceses eram o maior contingente nas Brigadas, que também incluíam 5 mil exilados alemães e austríacos, 4 mil homens da Polônia, 4 mil dos Bálcãs, 3.100 antifascistas italianos e 2 mil britânicos, 2 mil americanos, 2 mil belgas e 2 mil escandinavos. /REUTERS

Correções
26/05/2021 | 13h27

O título anterior desta reportagem afirmava erroneamente que Josep Almudever Mateu era o último combatente antifranquista vivo. Na verdade, ele era o único combatente vivo das Brigadas Internacionais.

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