Últimos observadores da ONU deixam Damasco

Cerca de 300 monitores que haviam ficado na Síria abandonam o país quatro meses após envio da missão internacional

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h01

Coroando o fracasso da diplomacia na crise síria, os últimos observadores das Nações Unidas deixaram ontem o país árabe, apesar da intensificação dos confrontos em várias cidades. Eles haviam sido enviados ao país para monitorar um cessar-fogo que nunca foi implementado. No total, passaram quatro meses assistindo, sem poder fazer nada, à Síria mergulhar na guerra civil.

Proibidas de se pronunciarem oficialmente, autoridades da ONU em território sírio culpavam, nos bastidores, ambos os lados em conflito pelo fracasso da missão internacional. "Nossa missão não foi cumprida pois as duas partes que se enfrentam não cumpriram os compromissos previamente acertados", afirmou um dos observadores.

O cessar-fogo que os monitores deveriam supervisionar seria o primeiro dos seis passos previstos no plano do emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan. A violência, porém, não parou e o próprio Annan abandonou a missão no dia 2. Na semana passada, ele foi substituído pelo veterano diplomata argelino Lakhdar Brahimi.

Os cerca de 300 militares e funcionários civis de vários países que compunham a missão internacional deixaram ontem seu hotel em Damasco, levados em veículos da ONU. Formalmente, a operação estava suspensa desde junho, quando os observadores, que andavam sempre desarmados, passaram a ser alvo de disparos.

A maioria dos funcionários que restaram na Síria era de oficiais de ligação, que não deixavam mais a capital Damasco. A ideia era manter um pequeno contingente caso os dois lados em guerra civil reduzissem as hostilidades, indicando que um cessar-fogo poderia ser alcançado - cenário que não ocorreu.

Sob fogo. Enquanto os observadores deixavam a Síria, o argelino que assumiu os esforços de mediação era alvo de críticas da oposição local, além de países árabes e europeus. Questionado em entrevista à BBC se o ditador Bashar Assad deveria deixar o poder imediatamente, Brahimi respondeu que "ainda não estava em posição de dizer que sim".

"Fui apontado há alguns dias e estou indo a Nova York (onde fica o Conselho de Segurança da ONU) pela primeira vez para ver as pessoas com as quais devo trabalhar. Também vou ainda ao Cairo (sede da Liga Árabe)", afirmou.

O Conselho Nacional Sírio, coalizão de grupos de oposição, acusou Brahimi de "ignorar o sangue derramado do povo sírio e seu direito a autodeterminação". O CNS ainda exigiu um pedido de desculpas. / AP

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