Ultradireita americana 'celebra' 15 anos do ataque de Oklahoma

Grupos radicais aproveitam a data para defender direito a porte de arma e protestar[br]contra o governo

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

No dia em que o ataque terrorista contra um edifício federal em Oklahoma City completou 15 anos, autoridades fizeram ontem homenagens às 168 vítimas do atentado, enquanto grupos de extrema direita se reuniram em diversas partes dos EUA para pedir o livre porte de armas e protestar contar o governo.

Em entrevistas e artigos para jornais, o ex-presidente Bill Clinton, que estava no poder quando o extremista Timothy McVeigh detonou um caminhão com explosivos em Oklahoma, alertou para as semelhanças entre o ambiente inflamado de protestos contra o governo de hoje e daquela época. "Não se pode estimular o debate público com uma retórica violenta que faz um tipo como McVeigh escutar atentamente", disse Clinton, em entrevista ontem. De acordo com ele, haverá sérias consequências se esses grupos continuarem a "demonizar o governo e seus funcionários em um esforço para legitimar a violência".

O atentado de 19 de abril de 1995 em Oklahoma foi o maior ataque terrorista doméstico dos EUA. Ontem, em Oklahoma City, a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, pediu vigilância contínua contra os terroristas ao discursar em uma cerimônia em que foram feitos 168 segundos de silêncio em homenagem às vítimas.

Segundo ela, a data do ataque deveria servir de lembrança para "a necessidade contínua de vigilância contra ideologias violentas que levaram a esse ataque", há 15 anos. "Temos de reconhecer seus indícios em nossas comunidades e nos unirmos para combatê-los", disse.

De acordo com o Southern Poverty Law Center, havia 149 grupos de nacionalistas de extrema direita em 2008, número que saltou para 512 em 2010. Ontem, em Washington, centenas de manifestantes carregavam faixas dizendo "armas salvam vidas".

PARA LEMBRAR

Ataque foi o pior, depois do 11 de Setembro

Em abril de 1995, o militante Timothy McVeigh detonou um caminhão carregado de explosivos em um prédio federal de Oklahoma City, capital do Estado de Oklahoma, no Meio-Oeste dos EUA. A explosão deixou 168 mortos e 680 feridos - a ação terrorista mais mortífera cometida em território americano até o 11 de Setembro. No local, funcionavam escritórios de várias agências do governo. O atentado desatou a maior investigação policial da história. Segundo o FBI, McVeigh levava 2,2 toneladas de nitrato de amônia no caminhão. Ele vestia uma camisa com a frase "Sempre morte aos tiranos", a mesma que o assassino do presidente Thomas Jefferson gritou após matá-lo. McVeigh foi detido e, em 2001, executado. Terry Nichols, que o auxiliou com os explosivos, e dois cúmplices pegaram prisão perpétua.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.