AFP / JOHN MACDOUGALL
AFP / JOHN MACDOUGALL

Ultradireita e aliados cobram Merkel

Partido da Baviera, aliado da legenda da chanceler, ameaça deixar coalizão se ela não limitar entrada de refugiados no país

O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2016 | 20h54

BERLIM - Militantes da ultradireita alemã protestaram nesta quarta-feira diante do edifício em que trabalha a chanceler alemã, Angela Merkel. O grupo de menos de cem manifestantes levava cartazes com as inscrições “Merkel deve sair” e “Merkel tem sangue em suas mãos”.

Mobilizações em resposta à extrema direita também foram organizadas no local. Manifestantes estenderam faixas com a inscrição “Berlim, melhor sem nazis” e ergueram cartazes com corações.

Bjorn Hocke, dirigente da legenda radical Alternativa para Alemanha (AfD), sustentou ao convocar o ato contra Merkel que o ataque de segunda-feira contra a feira natalina seria “uma oportunidade de afrontar” a política de acolhimento de refugiados. 

Mais preocupantes para Merkel são as recentes críticas da União Social Cristã (CSU) da Baviera. O líder da legenda, Horst Seehofer, que há meses exige limite à entrada de refugiados, afirmou após o atentado que sua legenda está disposta a deixar a coalizão se Merkel não ceder. A CSU e o partido de Merkel, a União Cristã Democrata (CDU), em geral chegam a um acordo sobre o candidato à chancelaria e não competem entre si. A CSU domina a Baviera, região conservadora por onde passou a maior parte dos 1,2 milhão de refugiados que entraram no país desde 2015. 

Movimentos de extrema direita de outros países europeus também atacaram Merkel após o atentado. O holandês Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade, publicou no Twitter uma foto de Merkel salpicada de sangue.

O vice-presidente do partido francês Frente Nacional, Florian Philippot, acusou a chanceler de “organizar a desorganização”, por receber 1,5 milhão de imigrantes em um ano. “É irresponsável porque sabemos que o Estado Islâmico infiltra terroristas no fluxo em massa.” O movimento radical grego Aurora Dourada disse em nota que “criminosos islâmicos disfarçados de refugiados assassinam nossos cidadãos”. / EFE e AFP

 

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