Ultradireitista se diz aberto a propostas

Peça-chave na formação do governo, Lieberman declara-se disposto a trabalhar tanto com o Kadima quanto com o Likud

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2009 | 00h00

O ultranacionalista Avigdor Lieberman, do partido Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), terceiro colocado nas eleições parlamentares, será a peça-chave para a formação da próxima coalizão de governo. Lieberman já declarou que está aberto a participar de um governo de união tanto com a centrista Tzipi Livni quanto com o ex-premiê Binyamin Netanyahu. Quem conseguir seu apoio terá maiores condições de formar o próximo governo.As quatro últimas eleições israelenses foram vencidas por um candidato que prometeu encerrar o conflito de Israel com os palestinos. Ontem, pela primeira vez em décadas, os israelenses foram às urnas sem que tivessem essa preocupação em mente. Independentemente de quem chegar ao poder, as negociações de paz agora estão mais distantes.Tzipi, do Kadima, foi a mais votada. A atual chanceler consegue atrair a maior parte dos partidos de esquerda e ainda poderia contar com o apoio de agremiações árabes. Mas não conseguirá o mínimo de 60 votos necessários para tomar decisões delicadas. O mesmo vale para Netanyahu, do direitista Likud. Ele receberá o apoio dos outros partidos direitistas, especialmente os religiosos. Mas não há garantias de que Lieberman, que deve conquistar 15 cadeiras, integrará uma coalizão liderada por ele.Em entrevista ao diário israelense Haaretz após o anúncio das pesquisas, o professor de ciência política da Universidade Hebraica Menachem Hofnung disse que "Lieberman será o responsável pela formação da próxima coalizão. Ele emergiu como o kingmaker. É o vencedor das eleições. A posição que Lieberman optar nas próximas semanas determinará quem será o próximo premiê", afirmou. Sabendo disso, o ultranacionalista deve barganhar poder, incluindo um cargo importante, como o de ministro da Defesa ou das Relações Exteriores. Após o anúncio das pesquisas, ele deu a entender que pretende integrar um governo de direita, mesmo sem citar o Likud. Lieberman disse que o seu partido "é agora o terceiro maior de Israel. Mas, mais importante do que isso, é que o campo direitista obteve uma vitória clara. Queremos um governo de direita. Esta é a nossa vontade e não a escondemos".Se esta declaração dá uma indicação de que Lieberman poderia se aliar a Netanyahu, a seguinte demonstra uma posição próxima de Tzipi: "O principal argumento hoje não é sobre fronteiras, mas sobre o caráter de Israel como um Estado judaico, sionista e democrático."Ao contrário da direita tradicional, Lieberman não faz questão de ter todo o território. O mais importante para ele é que Israel seja um Estado judaico. Por esse motivo, o imigrante soviético argumenta que os árabes-israelenses que não declararem lealdade a Israel deveriam perder a cidadania. Lieberman, de uma certa forma, defende a solução de dois Estados, mas não a mesma que Tzipi e a comunidade internacional aceitariam. Para ele, as cidades árabes de Israel deveriam ser entregues para o futuro Estado palestino, mas os assentamentos na Cisjordânia ficariam nas mãos de Israel.

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