Ultranacionalistas vencem eleição na Sérvia

Os radicais ultranacionalistas da Sérvia conquistaram a maioria dos votos nas eleições parlamentares do país, mas vários grupos favoráveis à democracia obtiveram as cadeiras necessárias para formar um novo governo, caso consigam apaziguar suas diferenças, de acordo com os resultados oficiais do pleito, divulgados nesta segunda-feira. O Partido Radical Sérvio, totalmente contra a independência de Kosovo, conquistou 28,3% dos votos. Mas isto não foi suficiente para o partido governar sozinho, afirmou a comissão eleitoral estatal. O Partido Democrático, do presidente Boris Tadic, ficou em segundo lugar, com 22,6% dos votos, e a Coalizão Popular, de centro-direita, liderada pelo primeiro-ministro Vojislav Kostunica, obteve 16,3% dos votos, segundo os resultados oficiais, com cerca de 70% dos votos já apurados. O pleito de domingo foi o primeiro desde que, em 2006, terminou a união da Sérvia com Montenegro, o último parceiro a abandonar o que outrora foi a Iugoslávia.Aguarda-se para logo depois das eleições a divulgação do plano da Organização das Nações Unidas (ONU) para o futuro da província sérvia de Kosovo. O Ocidente temia uma crise se o Partido Radical emergisse como o grande vencedor e caso Kosovo ganhe a independência.Tadic e Kostunica fizeram uma campanha internacional para manter Kosovo dentro das fronteiras da Sérvia, oferecendo uma ampla autonomia para a maioria étnica albanesa da província, que não aceita nada que não seja a independência total. Ao contrário do Partido Radical, os dois prometeram resolver a crise de Kosovo por meios pacíficos. Os resultados da eleição indicam que qualquer aceitação de um plano da ONU para Kosovo será difícil e deve esperar até que um novo governo seja formado.Kosovo é um protetorado internacional desde a guerra de 1998-1999 entre os soldados de Milosevic e os separatistas albaneses étnicos. O enviado da ONU, Martii Ahtisaari, deve apresentar para diplomatas a proposta para o futuro de Kosovo na sexta-feira, 26. Muitos acreditam que a proposta deve incluir algum tipo de independência sob certas condições.

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