AP Photo/Fernando Vergara
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Um ano após acordo de paz, há pendências entre Colômbia e Farc

Presidente colombiano e líder da ex-guerrilha falam sobre descumprimentos do pacto, mas reforçam o compromisso de seguir adiante com os termos

O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2017 | 05h13

BOGOTÁ - No aniversário de um ano do histórico acordo de paz entre Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a ex-guerrilha denunciou nesta sexta-feira, 24, o não cumprimento do que foi pactuado, apesar do compromisso do governo de seguir adiante com o combinado.

No mesmo Teatro Colón de Bogotá onde selaram a paz, o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o chefe do atual partido político Força Alternatica Revolucionária do Comum (Farc) Rodrigo Londoño se reencontraram nesta sexta para tratar dos atrasos e descumprimentos do pacto.

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Mesmo que tenha salvado milhares de vidas, o acordo - que significou o desarmamento e a transformação do grupo rebelde em partido - não desperta o entusiasmo geral e, no caso dos ex-guerrilheiros, reina a incerteza.

Londoño foi enfático. "O que nos estão implementando não foi um acordo que se firmou há um ano", afirmou. Antes, Santos questionou o ex-guerrilheiro. "Há quem vê o copo meio cheio e outros que sempre o veem meio vazio. Agora, as Farc, partido político, e a extrema direita concordam com este último", disse.

No final do encontro, ambos falaram sobre os planos para o futuro. "Combinamos de fazer reuniões periódicas para revisar os avanços em cada um dos pontos. Eu saio muito satisfeito desta reunião e vamos trabalhar para que o cumprimento do acordo siga avançando", disse o presidente colombiano. O líder das Farc respondeu à fala inicial de Santos e afirmou que o governo e o movimento político estão "de acordo de que o copo está meio cheio e vamos enchê-lo".

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Santos ainda detalhou que eles "fizeram uma revisão exaustiva de todos os pontos" que têm a ver com segurança para os ex-guerrilheiros, reincorporação, bem como sobre temas jurídicos e legislativos.

Pós-acordo e pendências. No dia 15 de agosto, as Farc entregaram à Organização das Nações Unidas o último fuzil. Quase sete mil homens e mulheres deixaram de combater, e as mortes pelo conflito - que no início dos diálogos chegaram a três mil por ano - reduziram-se para 78, segundo dados oficiais.

Depois do desarmamento, a ex-guerrilha, que manteve a sigla, mas deu outro significado político, prepara sua estreia eleitoral nos comícios de 2018. Mas além disso, o acordo prevê reformas rurais e políticas que ainda não saíram do papel. O que mais preocupa é o que pode acontecer na Jurisdição Especial para a Paz (JEP), que julgará os crimes atrozes cometidos durante o conflito.

O Congresso, com uma instável maioria governista, ainda não regulamentou o sistema sob o qual os guerrilheiros e militares poderão receber penas alternativas no caso de confessar os crimes, reparar as vítimas e se comprometer a nunca mais cometer violências. Na visão das Farc, o Legislativo, que tem até o fim deste mês para aprovar a lei por via rápida, pretende modificar o acordo para prejudicá-los.

Além disso, o novo partido político denunciou o assassinato de 23 ex-guerrilheiros e 11 familiares de integrantes do movimento enquanto a ONU assegura que cerca de 3.600 ex-combatentes abandonaram as 26 zonas onde se concentraram para a reincorporação social e econômica.

"Sei que as Farc têm reclamações, sei que têm preocupações. Mas que não reste a menor dúvida: seguiremos cumprindo com os acordos", assegurou o presidente da Colômbia. Londoño, que descartou o regresso às armas, também renovou seu compromisso apesar das dificuldades. "Não voltaremos atrás em nenhum dos termos combinados", disse. /AFP e EFE

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