Presidency Press Service via AP
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Um ano após golpe frustrado na Turquia, Erdogan promete 'cortar cabeça dos traidores'

Presidente da Turquia e integrantes da oposição reuniram-se neste sábado para comemorar o aniversário do golpe que foi impedido no ano passado

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2017 | 18h34

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou neste sábado, 15, "cortar a cabeça" dos responsáveis pelo golpe de Estado frustrado ocorrido há um ano na Turquia. Ancara acusa o pregador Fethullah Gülen de ser o mentor da iniciativa, o que ele nega.

"Antes de mais nada, cortaremos a cabeça desses traidores", declarou Erdogan em uma cerimônia que relembrava a intentona de 15 de julho de 2016, acrescentando que aprovará a restauração da pena de morte na Turquia, se for votada pelo Parlamento. Erdogan disse ainda que os supostos golpistas que estão sendo processados deveriam usar um uniforme único, "como em Guantánamo".

"A partir de agora, façamos que se apresentem perante um tribunal com um traje único, como em Guantánamo. Um uniforme único", afirmou Erdogan, em alusão à vestimenta laranja usada pelos detentos suspeitos de "terrorismo" que estão na prisão militar americana de Guantánamo, em Cuba.

O presidente da Turquia e integrantes da oposição reuniram-se neste sábado para comemorar o aniversário do golpe que foi impedido no ano passado, em um momento de união cerimonial, porém, ofuscado pelos atos de repressão que têm abalado a sociedade desde então.

A reunião no Parlamento foi a primeira de uma série de eventos planejados para o fim de semana para comemorar a noite de 15 de julho, quando milhares de civis desarmados foram às ruas para se opor a soldados fora da lei que mobilizaram tanques e aviões de guerra e bombardearam o Parlamento, em uma tentativa de tomar o poder. Mais de 240 pessoas morreram antes de o golpe ser impedido.

Mas, juntamente com a onda de nacionalismo, o maior legado do golpe foi a ampla repressão. Cerca de 150 mil pessoas foram demitidas ou suspensas de empregos no setor público e privado e mais de 50 mil foram detidas por supostas ligações ao golpe de Estado. Na sexta-feira, o governo disse que demitiu mais 7 mil policiais, funcionários públicos e acadêmicos por supostos vínculos com o clérigo muçulmano, a quem culpam pelo golpe.

"Nosso povo não deixou a soberania para seus inimigos e conquistou a democracia até a morte", disse o primeiro-ministro, Binali Yildirim, enquanto Erdogan e membros dos partidos da oposição presenciaram o discurso. "Esses monstros certamente receberão o castigo mais severo possível dentro da lei".

Críticos, incluindo grupos de direitos humanos e alguns governos ocidentais, dizem que Erdogan está usando o estado de emergência introduzido após o golpe para atacar membros da oposição, incluindo ativistas de direitos humanos, políticos pró-curdos e jornalistas.

O Partido Democrático dos Povos (HDP), sigla pró-curda foi representado por seu vice-presidente, já que os dois co-líderes do partido estão presos - assim como membros locais do grupo de direitos humanos Anistia Internacional e cerca de 160 jornalistas, de acordo com o Comitê de Proteção aos Jornalistas./ AFP e REUTERS

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