Um ano após guerra, israelenses temem conflito com a Síria

No dia 12 de julho, soldados israelenses em patrulha na fronteira com o Líbano foram mortos e seqüestrados por guerrilheiros do grupo islâmico libanês Hezbollah

Daniela Kresch, especial para o Estadão

12 Julho 2007 | 00h57

Há um ano, os quase 2 milhões de israelenses que moram no norte do país tiveram sua rotina bruscamente abalada. No dia 12 de julho de 2006, três soldados israelenses em patrulha na fronteira com o sul do Líbano foram mortos por guerrilheiros do grupo islâmico libanês Hezbollah. Outros dois foram seqüestrados na emboscada. Começava aí um conflito de 34 dias que levou um terço da população de Israel a se esconder em abrigos subterrâneos e cerca de meio milhão a deixar suas casas. Uma guerra que mexeu na auto-estima do país e deixou os israelenses frustrados e cabisbaixos. O pessimismo contrasta com as declarações vitoriosas do impopular primeiro-ministro Ehud Olmert, que sustenta ter vencido a guerra contra o Hezbollah. Ele alega ter conseguido afastar a guerrilha da fronteira com Israel através da resolução de cessar-fogo mediada pela ONU, a 1701, que entrou em vigor no dia 14 de agosto. A resolução estipula um aumento no número de tropas internacionais na região, além do envio do exército libanês para patrulhar a fronteira. Mas poucos acreditam nessa vitória, até porque o principal objetivo da guerra não foi alcançado: os soldados seqüestrados não voltaram ao país. Com surpreendente poder de fogo, o Hezbollah lançou mais de 4.000 foguetes de curto e médio alcance contra o norte de Israel. Os primeiros caíram antes do dia 12 de julho, para desviar a atenção da emboscada. "Me lembro do som das sirenes como se fosse hoje", conta Tatiana Feldman, 36 anos, moradora de Haifa, a terceira maior cidade do país. "Um ano depois, não consigo ser otimista quanto ao futuro. Tenho certeza de que a próxima rodada de bombardeios é questão de tempo", completa Tatiana, que imigrou há quatro anos da Rússia para Israel. Assim como Tatiana, boa parte dos moradores do norte israelense acredita que o cessar-fogo do dia 14 de agosto de 2006 não marcou para sempre o fim das hostilidades entre Israel e o Hezbollah. E mais: a boataria local dá conta de que o próximo conflito contará com o poder bélico de outro inimigo, ainda mais temido: os sírios. "Todo mundo sabe que a movimentação de tropas da Síria na fronteira com Israel é intensa desde a Segunda Guerra do Líbano (nome oficial israelense para o conflito com o Hezbollah)", afirma o empreiteiro Eli Weitzman, de 48 anos, morador de Haifa. "Não é à toa que tem muita gente vendendo as casas e fugindo do norte", revela Weitzman. Há dois meses, o temor de mais uma guerra - contra o Hezbollah ou a Síria - era mais do que generalizado. Estava claro para todos que, no verão, estouraria outro conflito. Recentemente, no entanto, autoridades israelenses vem tentando acalmar a população. Nesta quarta-feira, 11, o vice-comandante do Exército, Moshe Kaplinsky, bateu nessa tecla: "Nós acreditamos, eu pessoalmente acredito, que não precisamos esperar uma guerra contra a Síria este ano. Mas não podemos ignorar o que estamos vendo: aumento no envolvimento do Irã na região, do envolvimento da Síria no rearmamento do Hezbollah e de medidas preparatórias sendo tomadas pelo exército sírio". Ao temor de um novo conflito soma-se o descontentamento dos moradores do norte com o tratamento recebido durante e depois da guerra. As reclamações incluem a falta de verbas públicas para a renovação dos abrigos antiaéreos e a construção de novos. Sem contar a demora na liberação dos mais de US$ 300 milhões em indenizações aos afetados.

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