Thomas Coex/AFP
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Um ano após incêndio, sino de Notre-Dame toca em país atingido pelo coronavírus

Um ano depois do incêndio que destruiu o telhado da catedral e comoveu o planeta, a restauração está longe de começar

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 17h49

PARIS - O sino principal da Catedral de Notre-Dame de Paris tocou nesta quarta-feira, 15, às 20h (hora local, 15h em Brasília) para celebrar o primeiro aniversário do incêndio que destruiu parcialmente a catedral, cuja reconstrução está paralisada.

O sino principal, conhecido como Emmanuel, um presente de Luís XIV (1638-1715) para a igreja, tocou na mesma hora em que os franceses se reúnem nas janelas para aplaudir os profissionais de saúde, na linha de frente no combate à epidemia do novo coronavírus.

O sino é tradicionalmente tocado para grandes celebrações religiosas, visitas papais e funerais presidenciais, e soou apenas uma vez desde o incêndio, em setembro, em homenagem ao ex-presidente Jacques Chirac, que morreu naquele mês.

Um ano depois do incêndio que destruiu o telhado da catedral e comoveu o planeta, a restauração está longe de começar, e a igreja permanece em estado de "emergência absoluta", mesmo que os sensores "não registrem nada preocupante" apesar "dos choques térmicos", como explicou o general Jean-Louis Georgelin, responsável pela restauração.

"Reconstruiremos Notre-Dame em cinco anos, como prometi, e faremos todo o possível para cumprir este prazo", garantiu o presidente francês, Emmanuel Macron, em uma mensagem de vídeo.

O chefe de Estado agradeceu aos "socorristas, doadores, construtores que estão abrindo caminho para esses dias melhores que se aproximam, nos quais os franceses encontrarão novamente a alegria de estarem juntos e em que a agulha de Notre-Dame se alçará de novo para o céu".

'Esperanças de salvar o país'

O ministro da Cultura, Franck Riester, destacou o "heroísmo" da equipe de saúde e dos bombeiros na  noite de 15 de abril de 2019: "Para nós, no momento em que atravessamos, é uma mensagem de esperança incrível. A promessa de reconstrução coletiva".

Na opinião do defensor do patrimônio e apresentador de televisão Stéphane Bern, "é preciso salvar Notre-Dame e o patrimônio, porque isso nos dará esperanças para salvar o país". 

O risco seria que "esse esforço coletivo, essa aventura humana pelas obras do patrimônio passem para um segundo plano" devido à pandemia. No entanto, "permitem que centenas de famílias vivam", alertou.

"Com nossas obras, contribuímos para relançar a economia e salvar nossas pequenas e médias empresas e nossos artesãos", disse o presidente da Fundação do Patrimônio, Gillaume Poitrinal.

Paciência e determinação são as palavras-chave de Christophe Rousselot, à frente da Fundação Notre-Dame, que arrecadou as maiores doações.

"Para um edifício de oito séculos, estas semanas que nos parecem tão longas parecerão apenas um instante na história da catedral, pela qual em que nossos netos vão se interessar, se a entregarmos em bom estado", comentou.

Para o monsenhor Benoist de Sinety, vigário geral de Paris, "o prazo de cinco anos pode ser mantido, exceto por elementos externos". "O mais importante é que o culto possa retornar, é um lugar vivo, não é um museu", declarou. "A arquitetura deve respeitar o que é o edifício. Estaremos vigilantes", alerta.

Eric Wirth, vice-presidente da ordem dos arquitetos, estima que Notre-Dame está em boas mãos. "Há homens se superando, colocando seu compromisso, seu espírito e, pode-se dizer aqui, sua fé a serviço de uma causa que é a da humanidade", segundo ele.

Questionado sobre os € 902 milhões em doações e promessas de doações, o general Georgelin afirmou que registrou cerca de € 200 milhões e não tem "nenhuma preocupação sobre o fato de que esse dinheiro virá".

Muitos especialistas afirmam que já não há mais problemas com a contaminação pelo chumbo. Antes de ser suspensa devido à pandemia de coronavírus, a obra já havia sido interrompida rapidamente neste verão para melhorar a proteção dos trabalhadores contra essa contaminação./AFP e Reuters

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