Um ano após naufrágio, capitão do Costa Concordia está livre

Acusado de homicídio culposo e de abandonar embarcação, Schettino será indiciado em breve; navio continua no local

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h05

Um ano após o acidente que matou 32 passageiros do transatlântico Costa Concordia, a carcaça enferrujada do que já foi um luxuoso navio ainda pode ser vista da orla da pequena Ilha de Giglio, na costa da Toscana, litoral da Itália. Acusado de múltiplo homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e de abandonar a embarcação antes que todos os 4,2 mil passageiros fossem retirados, o capitão do navio, Francesco Schettino, está livre e deve ser indiciado nas próximas semanas. O julgamento deve começar em fevereiro.

A Justiça italiana analisa se o capitão, suspeito de navegar em alta velocidade próximo à ilha, atrasou o procedimento de retirada dos passsageiros e tripulantes, que deixaram o navio em botes salva-vidas, nadando ou em helicópteros. Foram recebidos por moradores da ilha, que tem população inferior a mil habitantes. Duas pessoas não foram encontradas.

Gravações da caixa preta do navio e de ligações telefônicas revelaram que Schettino abandonou o barco antes dos passageiros. Em conversa com o capitão, um oficial da Guarda Costeira não aceitou suas desculpas e ordenou: "Vada a bordo, cazzo (Volte a bordo, c...)". O processo que apura responsabilidade pelo acidente tramita em Grosseto, na Itália. Dias após o naufrágio, a empresa dona do navio ofereceu aos passageiros um acordo de 11 mil pelos danos materiais e morais. Com a recusa da oferta, ações foram ajuizadas em vários países, incluindo o Brasil.

Os autos do processo já somam 50 mil páginas. Para o promotor italiano que comandou as investigações, Francesco Verusio, não há dúvidas sobre o papel de Schettino no acidente. "Ficou óbvio que ele foi a pessoa responsável", disse Verusio na quarta-feira ao diário italiano Corriere della Sera. "Ele estava conduzindo o Concordia, um navio de mais de 300 metros e com mais de 4 mil pessoas a bordo, como se fosse uma canoa."

Na semana passada, Schettino disse que tinha sido retratado "como sendo pior do que Bin Laden". Ele admite ter cometido erros, mas diz que não deve ser o único responsável. Sete outros membros da tripulação e os executivos também podem enfrentar acusações.

Centenas de pessoas devem se reunir hoje na Ilha de Giglio. Às 9h45, haverá um minuto de silêncio, seguido pelo toque das sirenes dos navios no porto para marcar o momento exato da colisão nas pedras. O local virou ponto turístico. Cartões postais e camisetas são vendidos com a imagem do navio e miniaturas do Costa Concordia, que levava 4.229 pessoas, sendo 3.200 turistas e 1.029 tripulantes.

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