SERGEI SUPINSKY/AFP
SERGEI SUPINSKY/AFP

Um ano depois, queda do voo MH17 da Malaysia Airlines segue sem explicação

Boeing com 298 passageiros caiu em região do leste da Ucrânia dominada pelos separatistas pró-Rússia; Washington, Londres e Kiev cobram investigação internacional do incidente

O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 11h31

LONDRES - parentes das vítimas do voo MH17 da Malaysia Airlines derrubado há um ano no leste da Ucrânia lembraram nesta sexta-feira, 17, o primeiro aniversário da tragédia em vários países, enquanto cresciam as vozes que pedem que um tribunal da ONU julgue os responsáveis.

Todos os passageiros e a tripulação do voo - em sua maioria holandeses - morreram em 17 de julho de 2014, quando a aeronave malaia foi derrubada em seu trajeto entre Amsterdã e Kuala Lumpur.

Neste primeiro aniversário, Londres se mostrou favorável à criação de um tribunal internacional encarregado de julgar os responsáveis pela catástrofe, que ainda são desconhecidos. "A justiça deve ser feita; Isso requer um tribunal internacional, apoiado em uma resolução vinculante para os Estados membros da ONU com o objetivo de perseguir os responsáveis", declarou o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, também voltou a pedir uma investigação internacional independente sobre a queda do voo MH17 da Malaysia. "Nossos pensamentos permanecem com aqueles que pereceram. Nos somamos a seus amigos, parentes e entes queridos para honrar sua memória", indicou em comunicado o chefe da diplomacia americana.

"Como já disse em 20 de julho do ano passado, achamos que o MH17 foi derrubado por um míssil terra-ar lançado desde o território controlado pelos separatistas no leste da Ucrânia. Um ano depois, reafirmamos nosso compromisso com uma investigação independente internacional", indicou o secretário de Estado.

Pouco depois do acidente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a resolução 2166, que convocava os responsáveis por esta tragédia a se responsabilizar e pedia a plena cooperação de todos os Estados.

Malásia, Holanda e outros países se mostraram favoráveis à criação de um tribunal sob comando das Nações Unidas, mas a Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança com direito a veto, rejeitou esta opção.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, cujo país também é partidário de um tribunal especial, classificou nesta sexta-feira de dever moral punir os assassinos que derrubaram o avião.

"Há um ano juramos que os culpados serão castigados. Não foram palavras em vão. Os assassinos devem saber que o castigo é inevitável", disse o presidente em um vídeo publicado em seu site.

Lembrando os mortos. Na Holanda, as bandeiras foram hasteadas a meio mastro. Cerca de 2.000 parentes e amigos das vítimas se reuniram em uma cerimônia privada no centro do país para lembrar as vítimas. "Ainda penso nisso todos os dias", afirmou o primeiro-ministro Mark Rutte à imprensa.

Em Camberra foi realizado um ato de comemoração nacional no qual o chefe de governo, Tony Abbott, inaugurou uma placa aos mortos, entre os quais havia 38 australianos.

O australiano Paul Guard, que perdeu seus pais Roger e Jill, viajou até a capital australiana com outros nove membros de sua família.

"Será um dia difícil, mas esperamos que seja útil para o processo de luto", disse aos jornalistas antes da cerimônia.

Os parentes das vítimas malaias também participaram na semana passada de outro ato comemorativo em Kuala Lumpur, e pediram justiça e respostas pelo desastre.

Quem é o responsável. Enquanto as famílias das vítimas da tragédia mantêm seu luto, as autoridades seguem buscando os responsáveis para levá-los à justiça.

Alguns parentes dos passageiros mortos abriram um processo nos Estados Unidos contra o ex-chefe separatista russo Igor Strelkov, a quem acusam de ter derrubado o avião.

A parte civil reclama a indenização no valor de 850 milhões de dólares desse ex-coronel do FSB (ex-KGB) e líder da maior parte das forças separatistas durante os primeiros meses de conflito em Kiev, e que foi destituído de seu cargo em agosto.

Kiev e os países ocidentais suspeitam que os separatistas utilizaram um míssil terra-ar BUK, fornecido pela Rússia, para derrubar o avião. Moscou sempre desmentiu estar envolvido no ocorrido e acusou os militares ucranianos.

Atualmente, "a questão mais importante é: Quem é o responsável?", declarou à AFP Dennis Schouten, presidente da Fundação da Catástrofe Aérea do MH17, criada no ano passado para representar as famílias das vítimas.

O Escritório holandês de Investigação para a Segurança (OVV) deve apresentar seu relatório final, muito esperado, sobre as causas da tragédia durante a primeira semana de outubro, mas ressaltou que não identificará os responsáveis.

Neste sentido, uma equipe de investigação composta por especialistas australianos, belgas, holandeses, malaios e ucranianos mantém aberta uma investigação judicial. / AFP, EFE e REUTERS

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