Um ano depois, Cristina segue à sombra do marido

Líder argentina é vista como mero instrumento de poder de Kirchner

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

Há um ano, nos últimos minutos como presidente da Argentina, Néstor Kirchner gabou-se de ter tirado o país do "inferno" e tê-lo colocado às portas do "purgatório" - referindo-se à recuperação econômica durante seu mandato. No mesmo dia, passou a presidência à mulher, Cristina, que prometia uma viagem sem escalas ao paraíso. Mas, um ano depois, a Argentina parece ter voltado para o inferno. Ariel Palacios comenta a democracia e o primeiro ano de Cristina KirchnerUm ano depois, com Cristina em visita à Rússia, há pouco para celebrar. No interior do país, há poucas cidades onde ela pode aparecer sem ser vaiada. A inflação disparou, a pobreza aumentou, os escândalos de corrupção cresceram sem parar e os protestos sindicais voltaram depois de meia década de calmaria."Cristina completa um ano no governo. Mas não um ano no poder. O poder segue nas mãos do marido", disse ao Estado o colunista político Silvio Santamarina. Uma pesquisa da consultoria Management & Fit indica que 71% dos argentinos consideram que Kirchner prejudica Cristina.O próprio Kirchner mostrou quem manda em casa, ao comentar em um comício que Cristina, todo dia, na hora do café, reclama: "Puxa, que vice você me arrumou, Néstor!"O vice em questão é Julio Cobos, que em julho inflingiu uma dura derrota ao governo, ao - na condição de presidente do Senado - derrubar o "tarifaço agrário" de Cristina com seu voto de Minerva. Foi o ponto culminante do conflito que Cristina manteve entre março e agosto com os ruralistas, que realizaram quatro locautes contra o governo. Para complicar, a classe média, cansada da escalada inflacionária e os casos de corrupção, promoveu os primeiros panelaços desde a crise de 2001-2002. Depois do voto que Cobos, dezenas de deputados, senadores e vários governadores abandonaram o governo. Desde maio, a imagem negativa de Cristina supera a imagem positiva. Assim, ela se aproxima da marca do presidente mais impopular dos últimos 25 anos, Fernando De la Rúa, que - ao cair, em dezembro de 2001 - tinha, segundo a Gallup, 36% de imagem negativa e 26% de positiva.Críticos de Cristina destacam que ela está mais preocupada com sua aparência pessoal do que em governar. Segundo a revista Notícias, em uma de suas viagens para os EUA, ela mudou até cinco vezes de roupa por dia. Em 2008, afirma a revista, Cristina gastou US$ 400 mil em roupas.

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