Um ano depois da maré negra, praias espanholas limpas

A maré negra, que contaminou a costa da Galícia há um ano, foi dissipada e seus danos, à primeira vista, reparados. As praias parecem limpas, os pescadores voltaram a lançar suas redes e os famosos mariscos e moluscos de seus viveiros recuperaram seus preços fabulosos.Entretanto, no primeiro aniversário do afundamento do petroleiro Prestige ? um navio cargueiro de 26 anos com 77.000 toneladas de petróleo pesado a bordo, cujo derramamento causou uma catástrofe ecológica, autoridades e especialistas em meio ambiente continuam enredados em um debate complicado sobre a condução do desastre e a ameaça latente no fundo do litoral galego, onde repousa, dividido em dois, o Prestige e parte de sua carga.O diretor do Departamento de Controle Marítimo do governo autônomo da Galícia, Juan Maneiro, acredita que os efeitos dos danos causados pelo derramamento depois que o navio partiu-se em dois, na costa galega, em 13 de novembro de 2002, serão mínimos daqui para frente. ?Houve uma enorme recuperação que nos deixa completamente otimistas?, diz.Foi realmente uma proeza, tendo-se em vista que o Prestige derramou cerca de 64.000 toneladas de óleo, quase o dobro da quantidade que vazou do Exxon Valdez na costa do Alasca, em 1989. A mancha negra resultante chegou até o sul de Portugal e sudoeste da costa francesa.Mas há quem ache que as autoridades tentam mascarar o problema.?Para os turistas, a Galícia está limpa?, diz Juan Freire, biólogo da Universidade de La Coruña. ?Mas, ecologicamente, há algo muito nocivo.?Os dois lados, agora, admitem que nem a Espanha nem país algum com uma costa grande pode proteger-se de catástrofes parecidas, causadas por enormes navios petroleiros.Para a Galícia, o derramamento foi um pesadelo, uma vez que suas águas são uma das mais piscosas do mundo, especialmente em mariscos e outros crustáceos. Uma grande área costeira foi contaminada e a pesca foi proibido, enquanto milhares de pessoas passaram meses limpando o óleo derramado.O custo estimado da limpeza e das perdas do setor pesqueiro é estimado em ? 8 bilhões (quase R$ 28 bilhões) por toda a década. Mas uma pesquisa realizada esta semana pelo jornal A Voz de Galicia indicam que o produto da pesca, nos últimos três meses, está quase no mesmo volume que antes do acidente.

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