Um ano sem o papa João Paulo II

No próximo dia 2 de abril se completará um ano da morte do papa João Paulo II. Ele faleceu aos 84 anos, 26 deles dedicados ao pontificado. Durante esse tempo, visitou 129 países, escreveu catorze encíclicas e proclamou 482 santos. Foi o primeiro papa eslavo da história da Igreja e o mais jovem do século, eleito em 16 de outubro de 1978, aos 58 anos. Um ano depois da morte, o túmulo do papa na cripta da Basílica de São Pedro se transformou no lugar de maior peregrinação dos milhares de fiéis que chegam ao Vaticano diariamente. Os números oficiais apontam 23 mil pessoas. "João Paulo II foi um ponto de referência para o mundo. Lutou pela paz e ainda se opôs à guerra contra o Iraque. Vir rezar é o mínimo que podemos fazer por ele", disse María Antonia, que esteve no enterro em 2005 e suportou doze horas de fila para prestar homenagem ao Papa. Segundo Bento XVI, que foi a mão direita de Karol Wojtyla durante 24 anos e eleito o seu sucessor, "João Paulo foi um papa contemplativo e missioneiro, que soube entrar no coração das pessoas". Na cerimônia de despedida em 2 de abril de 2005, mais de três milhões de pessoas passaram pela cidade para dar o adeus final. E a expectativa para esse final de semana é que milhares de fiéis repitam a homenagem. João Paulo II em números O papa João Paulo II visitou 129 países e escreveu catorze encíclicas. Durante seu papado, ele acumulou vários recordes, entre eles suas 104 viagens fora da Itália, suas mais de 200 visitas a dioceses italianas e mais de 300 deslocamentos a paróquias e instituições de Roma. Foram quase 1,2 milhões de quilômetros percorridos em suas viagens pelo mundo, o que corresponde a 29 vezes a volta ao mundo e mais de três vezes a distância entra a Terra e a Lua. O país que mais visitou foi a Polônia, nove ocasiões, seguido da França (sete), Espanha, México e Estados Unidos (cinco) e Portugal (quatro). Suas viagens tiveram uma duração total de 582 dias, em que pronunciou mais de 2.400 discursos. Nomeou cerca de 3 mil dos 4 mil bispos que existem no mundo e proclamou 1.330 padres e 482 santos (a metade que existe no total da Igreja Católica). Também foi o primeiro papa que pisou numa Igreja Luterana (Roma, 1983), que falou em uma assembléia islâmica (Marrocos, 1985) e que entrou em uma sinagoga (Roma, 1986) e numa mesquita (Damasco, 2001). Seu pontificado esteve marcado pelo atentado sofrido em 1981 na Praça de São Pedro, onde o terrorista turco Mehmet Alí Agca disparou várias vezes no abdômen e na mão do pontífice. Nos anos em que ocupou a cadeira de Pedro, conversou com mais de 700 chefes de Estado ou de Governo. Alguns encontros simbolizaram um marco, como o do presidente cubano Fidel Castro, no Vaticano, em novembro de 1996. Em março de 2000, viajou à Terra Santa, onde realizou uma missa na Praça do Pesebre e proclamou um "mea culpa" no Muro das Lamentações e no Museu do Holocausto pelos horrores cometidos pelos cristão que perseguiram os judeus. Oficializou mais de 77 casamentos e 1.300 batismos.

Agencia Estado,

31 Março 2006 | 16h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.