Um ano sem pistas do brasileiro seqüestrado no Iraque

Um ano de silêncio. Na quinta-feira, quando se completam 12 meses do seqüestro do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Jr. no Iraque, a família dele rezará sem ter recebido uma só notícia concreta sobre o seu paradeiro. E também sem ter ouvido uma palavra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o que cobra Isabel Vasconcellos, irmã do engenheiro, que desde o seqüestro tenta uma audiência no Palácio do Planalto. Ela se diz decepcionada, principalmente ao comparar o envolvimento dos chefes de outras nações com o seqüestro de compatriotas."Meu sentimento é de indignação. Não queremos dizer que o governo não fez nada, mas que a figura do presidente foi omissa", disse Isabel, em entrevista ao Estado por telefone de Juiz de Fora, onde vivem os pais e mais uma irmã do engenheiro. Ela contou que a família pediu um encontro com o presidente Lula ainda nos primeiros dias após o desaparecimento de Vasconcellos, na tentativa de que o envolvimento direto dele pudesse ampliar a repercussão dos apelos brasileiros entre os iraquianos e na mídia do Oriente Médio.Durante 2005, segundo ela, senadores como Eduardo Suplicy (PT-SP) e Hélio Costa (PMDB), hoje ministro das Comunicações, tentaram o encontro, mas o Planalto não deu resposta. Apesar de reconhecer o esforço feito pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para localizar o brasileiro, Isabel diz que o presidente perdeu a chance de influenciar positivamente no caso. "Desde o início percebemos que todos os reféns de outros países libertados contaram com o empenho e o envolvimento pessoal do presidente, que é diferente da manifestação do chanceler", disse Isabel. "O presidente Lula nem nos recebeu. O motivo? Só que quem pode explicar é o próprio presidente. Já ouvi até desculpas informais dos diplomatas, mas nenhuma justificativa."Luiz Henrique de Vasconcellos, irmão do engenheiro, que vive em São Paulo e acompanha mais de perto as iniciativas do governo, evita criticar o presidente Lula, mas confirmou que o desabafo da irmã reflete um sentimento da família.Ele não sabe se um engajamento público do presidente teria trazido algum resultado diferente, mas diz que o gesto era bem-vindo. Seria uma tentativa a mais, como o apelo do jogador Ronaldo na mídia árabe.Chances remotas - A família parece já ter desistido do encontro com o presidente Lula e admite como remotas as chances de encontrar Vasconcellos vivo.Luiz Henrique conta que o Itamaraty renovou os esforços para divulgar mais o caso do engenheiro brasileiro no Oriente Médio em julho. Novas informações chegaram, mas nada confirmado.Nem mesmo o contato com os emissários que devolveram os documentos do engenheiro seqüestrado no final de março frutificou. "De qualquer modo, é preciso levar o caso até o final, senão será uma dúvida para o resto da vida. Trazer os restos mortais traria certo conforto para a família", afirmou Luiz Henrique.

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