Um arsenal nuclear muito perto do Taleban

Tão logo se soube do assassinato de Benazir Bhutto, uma preocupação angustiante percorreu o mundo: o Paquistão possui a bomba atômica. Na hipótese de a morte de Benazir levar a um período de caos, o país será capaz manter suas armas nucleares sob controle? Em 1998, o Paquistão anunciou a realização de vários testes nucleares. A população acolheu com enorme júbilo a notícia da bomba muçulmana, embora o Paquistão ainda não seja reconhecido oficialmente uma potência nuclear. O responsável por esse avanço foi um estranho personagem, A. Q. Khan, acusado em 2004 de vender a tecnologia nuclear a países muito suspeitos: Irã e Coréia do Norte, considerados "estados renegados". Apesar do escândalo, o Paquistão prosseguiu com seus esforços no campo nuclear: dotou-se de vetores de um alcance de milhares de quilômetros. Estima-se que o país tenha um estoque de 50 bombas atômicas. Um outro país da região, a Índia, inimiga antiga do Paquistão, também possui a bomba atômica. Mas para a Índia, trata-se simplesmente de se afirmar como grande potência mundial. No caso do Paquistão, o projeto é diferente: a bomba tem por finalidade intimidar a Índia, com a qual trava há décadas uma guerra na fronteira da Caxemira. Seja o que for, uma questão se coloca: o arsenal paquistanês é intocável? Especialistas procuram apaziguar, lembrando que Islamabad, em 1988, instalou uma sólida estrutura de vigilância. Além disso, os sítios militares estão espalhados e são poucas as pessoas que conhecem as localizações exatas. Infelizmente, parece que alguns desses locais estão nas famosas "zonas tribais" vizinhas do Afeganistão, portanto, próximas do Taleban. O que mostra que só se pode aceitar as garantias do Paquistão até certo ponto. * Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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