Um Brasil rico interessa ao Uruguai, diz Mujica

Presidente uruguaio inaugurou um parque eólico neste sábado, o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior

Rafael Moraes Moura, enviado especial, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 19h48

TARARIRAS - Em sua última agenda pública antes de entregar o cargo para Tábaré Vázquez, o presidente do Uruguai, José Mujica, disse neste sábado, 28, à presidente Dilma Rousseff esperar que o Brasil se desenvolva e cresça, o que beneficiaria países vizinhos. Segundo o último relatório de Mercado Focus, a expectativa é a de que o PIB brasileiro sofra uma retração de 0,50% em 2015.


"Nós trataremos de colaborar com o desenvolvimento do Brasil, mas não desinteressadamente", discursou Mujica, em solenidade de inauguração do parque eólico de Artilleros, o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior. "Nós queremos que o Brasil se desenvolva - interessadamente. Nos interessa um Brasil rico e quanto mais rico, melhor vamos viver todos", prosseguiu o líder uruguaio, sob aplausos.


Embora a energia gerada pelo parque seja destinada ao sistema elétrico do Uruguai, a Eletrobras ressalta que o aumento da capacidade instalada naquele país possibilitará a geração de excedentes de energia que poderiam ser intercambiados com o sistema elétrico brasileiro. O investimento do projeto é de US$ 103 milhões, dos quais US$ 23,5 milhões foram bancados pela Eletrobras - o restante foi pago pela estatal uruguaia UTE  e a Corporación Andina de Fomento.


Segundo o Broadcast Político apurou, houve uma preocupação do governo brasileiro em evitar que o parque eólico no Uruguai fosse alvo de polêmica semelhante àquela provocada com o porto de Muriel, em Cuba, financiado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na sexta-feira, a presidente inaugurou um parque eólico em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul.


Na avaliação de Dilma, o parque eólico vai beneficiar ambos os países. "Trata-se da integração do sistema elétrico. Nós vamos ter também uma linha de transmissão que vai permitir que, no Brasil e no Uruguai, nós construamos um sistema interligado de geração de energia que vai dar mais segurança para as nossas populações e uma energia de melhor qualidade e mais barata", destacou a presidente.


De acordo com a Eletrobrás, a interconexão elétrica existente entre os dois países permite atualmente um intercâmbio de até 70 MW. Com a conclusão de uma nova linha de transmissão entre Brasil e Uruguai, prevista para o primeiro semestre, o intercâmbio poderá ser aumentado em 500 MW, informou a estatal.


Dirigindo-se à presidente Dilma Rousseff, que prestigiará a posse de Tabaré Vázquez neste domingo, Mujica agradeceu a colaboração com o governo brasileiro. "Obrigado, Dilma, obrigado, Brasil, país demasiado grande, com muitos problemas. Não há um Brasil, há vários (Brasis)", comentou o uruguaio. "Um tremendo problema, porque a sua própria grandeza lhe multiplica a magnitude dos problemas."


Utopia. Antes do início da solenidade em Tarariras, localidade do departamento de Colônia, Dilma concedeu uma rápida entrevista e disse que passava por uma "sensação estratégica" ao estar ao lado de Mujica no último dia dele na Presidência.


"Acredito que o presidente Mujica representa o que há de melhor na América Latina, uma liderança com um compromisso com seu povo e todo o povo latino-americano e ao mesmo tempo uma pessoa encantadora, que está à frente do seu tempo. O presidente Mujica tem a realidade e a utopia compartilhada", afirmou Dilma.

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