Um campo de batalha eleitoral que vem encolhendo

Com eleição cada vez mais restrita aos Estados-chave, surgem alternativas às discrepâncias causadas pelo Colégio Eleitoral

ADAM, LIPTACK, THE NEW YORK TIMES, É JORNALISTA, ADAM, LIPTACK, THE NEW YORK TIMES, É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h02

Análise

Na acirrada eleição presidencial de 1960, John Kennedy fez campanha em 49 Estados. Richard Nixon visitou todos os 50. Esta eleição está tão disputada e intensa como aquela, mas os candidatos fizeram campanha em apenas 10 Estados desde as convenções dos seus partidos. Há cidades em Ohio que receberam mais atenção do que toda a Costa Oeste.

O campo de batalha eleitoral cada vez menor alterou a representação popular numa eleição. Existem evidências de que o sistema atual reduziu o número de eleitores, distorceu a política, debilitou a sua responsabilidade de votar e privou uma grande maioria de americanos do direito de votar. "É uma nova maneira de governar um país", disse Bill Bishop, coautor do livro The Big Sort, de 2008.

Isso significa que hoje o país é dominado por Estados solidamente democratas, em ambas as costas, e solidamente republicanos, no interior e grande parte do Sul. Numa eleição apertada, todos esses Estados estão fora do alcance de um ou de outro candidato. Essa situação não tem raiz na Constituição, mas no fato de que praticamente cada Estado prefere destinar seus votos segundo o critério do "vencedor leva tudo". Um candidato que está certo de vencer ou perder o voto popular de um Estado não vê razão para despender recursos ali.

Algumas pessoas que vivem em Estados como esses retornam o favor permanecendo em casa e não votando. Em 2008, o comparecimento às urnas em 15 Estados que receberam a maior atenção dos candidatos foi de 67%. Nos 35 Estados remanescentes foi 6 pontos porcentuais a menos.

Essa disparidade aumenta as chances de um candidato vencer no Colégio Eleitoral, embora o outro vença no voto popular. Especialistas em pesquisas acreditam que Mitt Romney tenha mais chances do que o presidente Barack Obama de sair perdedor nessa combinação, obtendo amplas margens em Estados dominados por eleitores republicanos e perdendo em outros que são competitivos.

Opções. Para Rob Richie, diretor executivo do Center for Voting and Democracy, a nova paisagem política seria irreconhecível para um eleitor há algumas décadas. "Em 1976, 10 dos 11 maiores Estados eram considerados decisivos", disse.

Na presente eleição, o campo de batalha ficou comicamente pequeno. Somente três Estados - Flórida, Ohio e Virginia - representaram quase dois terços das aparições dos candidatos na campanha e de seus vices. Os três abrigam um oitavo da população do país.

"Há quatro anos, os candidatos e seus partidários faziam propaganda eleitoral em 100 dos 210 mercados de mídia", afirmou Elizabeth Wilner, do Kantar Media's Campaign Media Analysis Group. "Este ano, o campo de batalha encolheu de um terço para um quinto."

Viver num Estado considerado decisivo tem suas vantagens. As pessoas ali recebem uma atenção desproporcional dos candidatos presidenciais durante as campanhas, o que pode ser uma faca de dois gumes. No entanto, há razões para achar que as vozes da população que vive nos Estados considerados decisivos são ouvidas mais atentamente e suas preocupações têm mais probabilidade de influir nos programas políticos e gastos do governo.

No ano passado, a Pensilvânia considerou a possibilidade de atribuir seus votos de outra maneira - que não seguindo o critério do vencedor leva tudo - e adotar uma fórmula em que os votos seriam atribuídos com base nos resultados dos seus distritos eleitorais. O Estado abandonou seu projeto, mas têm se registrado apelos no sentido de alterar o método pelo qual os presidentes são escolhidos em um campo de batalha cada vez mais exíguo.

Dividir os votos do Colégio Eleitoral por distritos pode exacerbar - e não diminuir - a probabilidade de o voto do Colégio Eleitoral não refletir a vontade popular. Uma segunda possibilidade seria dividir os votos do Colégio Eleitoral de cada Estado de acordo com a votação dentro do próprio Estado. O problema é que os votos do Colégio Eleitoral não podem ser fracionados, o que exigiria um arredondamento.

Uma terceira opção é a Lei do Voto Popular Nacional. Oito Estados e o Distrito de Colúmbia prometeram dar todos os seus votos no Colégio Eleitoral - que representam 49% da maioria exigida de 270 - para o candidato que vencer a votação popular nacional. Por outro lado, eliminar totalmente o Colégio Eleitoral, exigiria uma Emenda Constitucional, o que torna a tarefa mais difícil. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.