Um debate reservado sobre a questão energética

ANÁLISE: Edward McAllister / Reuters

O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2013 | 02h06

Quando as conversas do presidente Barack Obama com seu recém-eleito colega mexicano, Enrique Peña Nieto, enveredarem para o polêmico tópico da energia durante encontro nesta semana, os dois possivelmente procederão com cautela. Os dois países trocaram de posição ao longo da última década: o México, que já foi uma crescente potência energética, enfrenta dificuldades para manter sua produção; os EUA, que já foram um importador garantido, estão desfrutando de um lucrativo boom energético.

Mas as questões espinhosas do investimento estrangeiro no setor de produção de petróleo do México ou do escambo de tipos diferentes de petróleo bruto entre os dois países provavelmente serão tratadas (se forem) de maneira privada.

Apesar de as envelhecidas refinarias mexicanas poderem operar com mais eficiência usando alguns tipos de petróleo bruto leve que saem dos campos petrolíferos americanos, o monopólio estatal de petróleo e gás Pemex há muito vem evitando importações crescentes na tentativa de manter sua dependência do petróleo bruto mais pesado produzido internamente.

Enquanto isso, as exportações de gás natural americano para o México aumentaram e poderão dobrar dentro de alguns anos, apesar dos receios nos EUA de que as exportações possam provocar um aumento dos preços domésticos.

"Isso parece mais a primeira dança da temporada", disse Bill O'Grady, estrategista-chefe de mercados da Confluence Investment Management. "Um precisa ver o outro, conhecer o outro. Mas o México ainda está tentando imaginar como reformar a própria companhia petrolífera estatal." Uma espécie de escambo? A produção mexicana de petróleo e gás continua estável enquanto a demanda nacional vem aumentando, e isso cria um dilema para Peña Nieto, cujos adversários se opõem vigorosamente ao investimento estrangeiro no setor de energia do país.

Apesar de o petróleo bruto mexicano ser matéria-prima para refinarias da Costa do Golfo, as importações de petróleo bruto do México caíram de um terço em relação à década passada, para menos de 1 milhão de barris por dia em 2012, pela primeira vez desde 1994. Em função disso, o México mudou seu foco. Um mês atrás, a Pemex alardeou um novo acordo de dois anos para aumentar as exportações de petróleo bruto para a China. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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