Ng Han Guan/AP
Ng Han Guan/AP

Um dia antes das eleições, Hong Kong tem manifestação contra uso de gás lacrimogêneo

Há no território semiautônomo um temor crescente de que o gás utilizado pela polícia possa liberar produtos químicos tóxicos, incluindo dioxinas causadoras de câncer

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 11h36

HONG KONG - Aos gritos de "chega de gás lacrimogêneo", milhares de famílias em Hong Kong se manifestaram neste sábado, 23, contra a condução do governo ao lidar com os protestos diários pró-democracia. Os atos, porém, foram pacíficos em uma aparente trégua para não dificultar as eleições, vistas como uma espécie de referendo à administração local. 

Ao todo, a polícia de choque já disparou mais de 9 mil cartuchos de gás lacrimogêneo desde que os protestos começaram a agitar o território chinês em junho, muitas vezes em áreas lotadas e também perto de escolas.

Segundo os manifestantes, com a polícia agora comprando cartuchos da China, há um medo crescente de que o gás lacrimogêneo possa liberar produtos químicos tóxicos, incluindo dioxinas causadoras de câncer. Uma jornalista relatou que foi diagnosticado com uma condição na pele ligada à exposição a toxinas, incluindo dioxina.

O governo local disse nesta semana que não havia evidências de nenhum risco à saúde ou ambiental e recusou-se a revelar os produtos químicos no gás lacrimogêneo, citando preocupações operacionais.

Nesta semana, houve um raro momento de tranquilidade nas ruas, com os manifestantes ansiosos para validarem sua causa pelas urnas. As eleições para os conselhos distritais acontecem neste domingo, 24 (hora local). Cerca de 4,1 milhões de cidadãos se registraram para votar - um crescimento de 12% em relação à votação anterior.

Na disputa, estão 452 de 479 assentos nos conselhos de cada um dos 18 distritos de Hong Kong. Os conselheiros distritais, que são eleitos totalmente por voto direto, são responsáveis por tratar de questões comunitárias, como coleta de lixo e rota de ônibus. Seu poder é limitado se comparado ao do Conselho Legislativo (LegCo), órgão legislador de Hong Kong.

Além dessas serem as primeiras eleições em Hong Kong desde o início dos protestos, os 18 conselhos distritais têm participação no processo de votação indireta que seleciona parte dos representantes do LegCo e os membros do Executivo local. Atualmente, os partidos pró-Pequim controlam 17 conselhos e contam com 298 conselheiros distritais desde as últimas eleições, em 2015.

O secretário-chefe de Hong Kong, Matthew Cheung, disse neste sábado que a votação de quase 60% da população da cidade é um "exercício democrático real". Segundo ele, uma forte presença policial nas assembleias de voto garantirá que tudo ocorra bem. / AP e AFP

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