Um dia após o resgate, três dos 33 mineiros deixam o hospital no norte do Chile

Médico diz que outros trabalhadores serão liberados na sexta-feira e todos estarão em casa até domingo.

BBC Brasil, BBC

14 de outubro de 2010 | 22h39

Piñera (centro) diz que resgate de mineiros uniu o país

Deixaram o hospital na noite desta quinta-feira três dos 33 mineiros resgatados no Chile na véspera, após passarem mais de dois meses presos em uma mina a 700 metros de profundidade, no norte do país.

Aegundo o jornal chileno La Tercera serão liberados Florencio Avalos, Carlos Mamani (o único boliviano do grupo) e Juan Illanes deixaram o hospital de Copiacó, onde estavam internados desde o resgate, e foram para suas casas.

Durante uma entrevista coletiva, o vice-diretor do hospital, o médico Jorge Montes, disse que outros mineiros devem ter alta na sexta-feira, já que o estado de saúde de todos eles estava progredindo muito bem. Todos devem ser liberados até domingo.

É o caso inclusive de Mario Sepúlveda, que enfrenta problemas respiratórios, e de Mario Gomez, de 63 anos, que está tomando antibióticos por causa de uma pneumonia.

O médico afirmou ainda que os três mineiros poderão fazer atividades físicas e só terão de usar óculos de sol quando expostos à luz intensa. No entando, disse que "a condição psicológica dos pacientes é algo ainda imprevisível".

No fim da tarde, os socorristas que participaram da operação de resgate na mina San José foram ao hospital, onde tiveram um encontro emocionado com os mineiros.

Futebol

Os mineiros também receberam a visita do presidente do Chile, Sebastián Piñera, que os convidou para uma festa um jogo de futebol no palácio presidencial no dia 25. Ele fez piada dizendo que quem ganhasse a partida ficaria no La Moneda e quem perdesse voltaria para a mina.

"Eles sabem que nós (o país) não os abandonaríamos, quando estavam 700 metros no subsolo. É claro que o governo vai cuidar deles, de suas situações pessoais, de sua saúde, sua reintegração à vida, com suas famílias e sua reinserção profissional", afirmou.

Piñera afirmou que o governo vai revisar os padrões de segurança de todas as minas do país, em decorrência do acidente que deixou os mineiros soterrados por 69 dias.

Segundo ele, a legislação trabalhista será alterada e aperfeiçoada e que serão adotados "padrões internacionais".A mineração é uma das principais atividades econômicas no Chile, maior produtor mundial de cobre.

'Nunca mais'

O presidente, cuja popularidade está em ascensão no Chile, disse que nunca mais os trabalhadores devem ser submetidos a condições como as da mina de San José.

Ele agregou que a empresa responsável pelo local, a mineradora San Esteban, deve ser responsabilizada e arcar com parte dos custos com o salvamento - que Piñera estimou em US$ 10 milhões e US$ 20 milhões.

"Dissemos no primeiro dia que não aceitaremos impunidade. As cortes estão trabalhando, o Judiciário está trabalhando, o governo está trabalhando em questões de procedimentos administrativos."

Piñera voltou a chamar o resgate de "milagre" e exaltou a "união" nacional trazida pelo episódio.

"Os mineiros que ontem (quarta-feira) voltaram (à superfície) não são as mesmas pessoas que ficaram soterradas em 5 de agosto. Eles estão experimentando uma nova vida, um renascimento. Mas também aconteceu um milagre na superfície, porque nós, chilenos, não somos mais os mesmos de antes. Hoje somos um país unido, muito mais forte, mais respeitado e amado em todo o mundo."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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