REUTERS/Pascal Rossignol
REUTERS/Pascal Rossignol

Um dos autores do ataque na Normandia já havia sido fichado pela polícia

Indivíduo tinha permissão para sair da casa de seus pais, onde residia, por quatro horas diárias e usava um bracelete eletrônico

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 12h53

PARIS - Um dos dois terroristas que mataram nesta terça-feira, 26, um padre em uma igreja na cidade de Saint-Étienne-du-Rouvray, na Normandia, já havia sido fichado pela polícia e usava um bracelete eletrônico.

Segundo informou uma fonte judicial à emissora France Info, o homem - cuja identidade ainda não foi confirmada da mesma forma que a de seu companheiro - tinha permissão para sair da casa de seus pais, onde residia, entre 8h30 e 12h30 locais.

O terrorista, que morreu junto a seu companheiro após fazer cinco reféns em uma igreja durante uma hora e ferir dois deles, teve a prisão preventiva decretada em 2015, quando foi frustrada na Turquia sua tentativa de se unir ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) na Síria.

No entanto, em março deste ano ele ficou livre e passou a ser controlado desde então pelo bracelete eletrônico, acrescentou a fonte.

O presidente francês, François Hollande, afirmou que os dois autores eram "terroristas que reivindicaram pertencer ao Estado Islâmico".

Ambos eram "soldados do Estado Islâmico", segundo confirmou pouco depois a agência Amaq, vinculada à organização terrorista, que disse que sua ação foi "em resposta às chamadas para atacar os países da coalizão cruzada", em alusão à aliança internacional que ataca posições jihadistas no Iraque e Síria.

Reações. A presidente do partido ultradireitista Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, falou sobre a inércia dos que governaram a França nas últimas três décadas e sua "responsabilidade imensa", em reação ao atentado jihadista desta manhã. "A responsabilidade de quem nos governa há 30 anos é imensa. Vê-los conversar é revoltante!", escreveu ela em sua conta no Twitter.

A líder da extrema-direita francesa qualificou de "horrível" a ação e enfatizou que o modo com que os criminosos agiram abre brecha para "temer um novo atentado dos terroristas islâmicos".

Já o ex-presidente da França e líder da oposição conservadora, Nicolas Sarkozy, pediu uma mudança profunda na luta contra o terrorismo no país. "Temos que ser implacáveis. As precauções, os contextos de uma ação incompleta não são admissíveis", ressaltou Sarkozy em uma entrevista na sede de seu partido.

Após afirmar que o ataque foi "particularmente desumano", Sarkozy disse que a situação deve conduzir o país a uma maior lucidez, e que se deve "mudar profundamente a dimensão e a estratégia de resposta" do país.

"Nosso inimigo não tem tabus, limites, moral, nem fronteiras. Temos que ser implacáveis", afirmou o ex-presidente, citando o fato de uma das vítimas, um padre, ter sido degolada.

Sarkozy pediu ao governo que aplique "todas as propostas" que apresentou nos últimos meses e que o faça "sem demora", porque o país não pode "seguir perdendo tempo." "É uma guerra. Não há outra opção a não ser realizá-la e vencê-la", concluiu.

Os Republicanos exigiram nos últimos tempos um endurecimento nas medidas antiterroristas. Já Sarkozy, em particular, pediu um maior controle das 11,4 mil pessoas fichadas pelo serviço secreto francês por suspeitas de vínculos com o terrorismo. Para o ex-presidente, os estrangeiros suspeitos deveriam ser "expulsos urgentemente".

Quanto aos franceses, Sarkozy defende que eles usem tornozeleiras eletrônicas. Além disso, eles teriam movimentação restringida por decisão administrativa ou seriam internados em "centro de retenção". / EFE

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