Fabricio Bensch/Reuters
Fabricio Bensch/Reuters

Um dos pilotos estava trancado fora da cabine quando o avião da Germanwings caiu

Oficial envolvido nas investigações diz ao 'New York Times' que gravação da caixa-preta revela que um dos comandantes saiu e bateu várias vezes na porta sem obter resposta; análise indica que destroços do Airbus não são característicos de uma explosão

O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 15h04

PARIS - Gravações de voz do Airbus A320 da companhia alemã Germanwings, que caiu na terça-feira matando 150 pessoas, indicam que um dos pilotos estava trancado do lado de fora, incapaz de entrar na cabine de comando. As informações foram divulgadas pelo jornal New York Times, que ouviu um oficial militar que participa das investigações.

O militar descreve um diálogo “normal” entre os pilotos nas primeiras horas de voo. Então, o áudio revela que um deles deixou a cabine e não conseguiu voltar. “Primeiro, ele bate suavemente na porta, mas não tem resposta. Depois, ele passa a tentar arrombar a porta, mas nunca obteve resposta”, disse o militar ouvido pelo Times

Investigadores disseram ontem que o Airbus não explodiu antes de colidir com uma montanha nos Alpes do sul da França. A conclusão é uma das poucas certezas que peritos do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês) têm sobre a tragédia. 

Apesar de os especialistas não descartarem nenhuma hipótese, o Ministério do Interior da França disse que a possibilidade de terrorismo “não é a mais provável”. O mistério em torno da queda do voo da Germanwings, que ia de Barcelona, Espanha, a Dusseldorf, Alemanha, permanecia ontem, apesar de peritos franceses e alemães terem conseguido extrair de uma das caixas-pretas as gravações das conversas entre os pilotos. A caixa-preta (CVR) foi localizada na terça-feira e está sob análise na sede do BEA, em Le Bourget, nas imediações de Paris. A direção da entidade pediu paciência. “É preciso aguardar alguns dias para efetuar uma primeira transcrição das conversas dos pilotos e várias semanas para que ela seja muito precisa”, disse o diretor do BEA, Rémi Jouty.

Por isso, segundo o chefe da perícia, ainda não há “a mínima explicação” sobre as causas do acidente. “Não estamos em condições de ter a menor explicação ou interpretação sobre as razões que levaram o avião a descer e as razões pelas quais ele continuou a descer, infelizmente, até o relevo, da mesma forma que as razões pelas quais ele parece não ter respondido às tentativas de contato do controle aéreo”, afirmou Jouty.

O BEA informou ainda que é cedo para afirmar que os dois motores tenham se desligado, contribuindo para a descida do avião, de 11,4 mil metros de altitude para cerca de 1,5 mil em apenas oito minutos. “O avião voou até o fim. Os destroços não são nada característicos de um avião que explodiu em voo”, informou Jouty. Mais cedo, Bernard Cazeneuve, ministro do Interior, foi enfático em dizer que a “hipótese de terrorismo não é a mais provável, mas também não está descartada”.

Ainda ontem, o presidente da França, François Hollande, visitou o local do acidente com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê da Espanha, Mariano Rajoy. / EFE e REUTERS

.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.