Um duro golpe para a rebelião líbia

Uma nova tempestade despenca sobre as "primaveras árabes" que, há seis meses, tentam derrubar as tiranias norte-africanas. Na quinta-feira foi assassinado o chefe militar da rebelião líbia contra o tirano Muamar Kadafi, que continua resistindo apesar dos bombardeios da Otan contra Trípoli. O general Abdel-Fatah Younes era o homem forte do Conselho Nacional de Transição (CNT) que conduz a luta política e armada contra Kadafi.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

O general Younes foi por longo tempo pessoa muito próxima de Kadafi e ajudou o coronel a tomar o poder em 1969. A partir daí, sempre fez parte do "primeiro escalão" do poder. Foi ministro do Interior. Mas, este ano, logo após o início da revolta, o general afastou-se de Kadafi e seguiu para Benghazi onde assumiu o comando das operações militares. Quem matou o general? Pensamos, em primeiro lugar, em Kadafi. A cabeça de Younes foi colocada a prêmio, com uma recompensa de 2,8 milhões. No dia da sua morte, esta foi a hipótese privilegiada. Mas ontem outras pistas foram levantadas.

O que se soube é que os insurgentes suspeitavam que o general fazia "jogo duplo". Aliás, se ele deixou a frente de combate para ir para Benghazi foi porque havia sido convocado para depor perante uma "junta militar" dos insurgentes, o que prova que alguns membros do CNT suspeitavam de sua lealdade. Neste caso, não se trataria de um assassinato organizado por Kadafi, mas de um "acerto de contas" no âmbito dos insurgentes. É preciso dizer que o CNT não respira harmonia. Criado às pressas, este conselho reúne pessoas não só incompetentes, mas também inimigas. Seja qual for a identidade dos "assassinos", o certo é que a morte do general é um duro golpe para a rebelião e uma "maravilhosa surpresa" para Kadafi. Younes era um verdadeiro comandante militar. No plano político, quanto mais o conflito se estende, maiores serão os perigos. Sobretudo se o assassinato do general Younes permitir que os islâmicos passem a dominar a revolução democrática da Líbia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.