Um gesto que pode não passar de uma perigosa ilusão

Cuba prometeu libertar 52 de seus presos políticos. Torcemos para que a libertação se concretize, mas não devemos cair na ilusão de que esse gesto seja algum indício de uma mudança política fundamental na ilha que os irmãos Fidel e Raúl Castro governam com mão de ferro desde 1959. O regime castrista possui uma longa história de concessões táticas na questão dos direitos humanos - com o objetivo de ganhar tempo para o regime, e não de reformá-lo. Sempre empobrecida e desprovida de liberdade, a Cuba revolucionária encontra-se numa situação ruim. O cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, alertou para a existência de "uma situação difícil" que exige "rápidas" mudanças por parte do governo para evitar que a "impaciência e o descontentamento" se disseminem.

The Washington Post, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2010 | 00h00

A economia está ruindo: o turismo está em baixa, a dívida externa tem aumentado e a Venezuela se vê cada vez mais incapacitada de ajudar por causa de seus próprios problemas. Enquanto isso, os dissidentes cubanos tornam-se cada vez mais ousados e prestigiados, tanto do ponto de vista doméstico quanto do internacional.

Qual deve ser a resposta dos EUA? Pelo fato de as exportações americanas de comida pagas com dinheiro fazerem dos americanos o quinto maior parceiro comercial de Cuba, o termo "embargo" não serve mais para descrever a principal política de Washington em relação à ilha. Barack Obama foi sábio ao associar grandes mudanças nas sanções americanas a um avanço significativo no respeito à democracia e à liberdade em Havana. Ainda falta muito para que tal condição seja cumprida. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

EDITORIAL PUBLICADO ONTEM NO "WASHINGTON POST"

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