Um jantar com robôs

Em breve, máquinas que já cuidam de afazeres domésticos permitirão que pessoas estejam e façam coisas em outro lugar

É COLUNISTA DE TECNOLOGIA, NICK , BILTON, THE NEW YORK TIMES, É COLUNISTA DE TECNOLOGIA, NICK , BILTON, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h03

Milhões de pessoas assistiram, na semana passada, à descida de um robô em Marte, a cerca de 248 milhões de quilômetros da Terra, que, ao mesmo tempo, compartilhava de vídeos, fotografias e atualizações do status de sua conta no Twitter. Eu tive meu próprio encontro com um robô na semana passada. Jantei com ele - bem aqui no Vale do Silício. O jantar foi na Willow Garage, uma empresa de robótica em Menlo Park, e tinha como finalidade apresentar a alguns repórteres os robôs produzidos pela companhia.

A principal atração foi o PR2, que consegue apanhar coisas, colocar a roupa no varal, abrir portas e trazer xícaras, pratos e outros pequenos objetos para as pessoas. É realmente espantoso vê-lo trabalhar. Seu preço, US$ 400 mil pela versão funcional completa, também é espantoso. E embora seja impressionante observá-lo, ainda assim ele fica facilmente desconcertado com o fato mais prosaico.

No jantar, um dos PR2 deixou cair uma lata de refrigerante no chão e ficou parado no lugar, confuso, sem conseguir atinar o que tinha acontecido com a lata. Foi como se tivesse feito um maravilhoso truque de mágica consigo mesmo. É difícil saber quantos robôs estão em uso hoje, porque os especialistas em robótica discordam quanto ao que seja um robô. Precisará ter braços ou inteligência artificial ou fazer reconhecimento facial? A primeira definição do termo, que deriva da palavra robota, do checo, significa "trabalho forçado" ou "escravo".

As empresas de robótica têm várias estimativas sobre o número de robôs em uso. O que quer que seja, pessoas como Steve Cousins, presidente e diretor executivo da Willow Garage, acham que os robôs se tornarão bem mais corriqueiros num futuro não muito distante.

E dão como exemplo Roomba e outros robôs feitos pela iRobot, que segundo a companhia já limpam chão, piscina e ralos em mais de oito milhões de casas e escritórios. O Exército dos EUA utiliza robôs para desarmar bombas no campo de batalha. E um robô usado para intimidar o inimigo, o Big Dog, da Boston Dynamics, está sendo fabricado para substituir alguns soldados na batalha.

Os especialistas do setor dizem que o preço dessas máquinas começará a cair consideravelmente, o que contribuirá para difundir o seu uso em casas e escritórios.

Cousins acredita que a próxima geração de robôs que entrará - ou invadirá - as casas, substituindo a força de trabalho, será composta de máquinas de telepresença. Elas têm uma tela e uma câmera embutidas e são essencialmente terminais móveis de vídeo para bate-papo, que podem ser controlados a milhares de quilômetros de distância.

Logo, disse Cousins, essas engenhocas serão dotadas também de corpos mais funcionais, incluindo braços, para poder interagir num espaço físico.

"Os robôs de telepresença dos nossos dias permitem que a gente esteja em outro lugar", disse. "Quando acrescentarmos braços a essas coisas, elas permitirão que as pessoas também façam coisas em outro lugar ".

E completou: "Acho que esses robôs terão de ser enormes, porque permitirão que as pessoas viajem no tempo e no espaço, e estejam presentes em algum outro lugar onde na realidade não estão, sem o custo e a demora de uma viagem espacial".

Robert S. Bauer, diretor executivo da Willow Garage, ressaltou que, antigamente, os computadores eram considerados máquinas exóticas. No início dos anos 70, ele disse, a Xerox Parc criou uma série de sofisticados computadores que custaram várias centenas de milhares de dólares. Essas máquinas inovadoras estavam preparando o caminho dos computadores pessoais de hoje.

"Agora, 40 anos mais tarde, todo mundo tem um PC e um smartphone em sua casa e escritório", disse Bauer. "O mesmo acontece agora com os robôs."

Ele previu que a primeira geração de robôs muito provavelmente se tornará "o corpo de pessoas portadoras de deficiências físicas". Combatentes feridos, tetraplégicos e pessoas com o mal de Lou Gehrig, uma doença nervosa degenerativa, poderão interagir com o mundo físico controlando um robô, afirmou.

No jantar, o grupo discutiu outras possíveis aplicações dos robôs no futuro próximo. Por exemplo, robôs que cozinham, "enxames" de robôs do tamanho de moscas que poderão vigiar uma casa ou um escritório como guardas, robôs que fazem a limpeza dos ambientes, lavam roupa e levam o lixo para fora. E robôs que dirigem automóveis, talvez até melhor do que um ser humano.

Entretanto, os robôs não podem solucionar todos os problemas. Perguntei a Cousins se haverá algum dia um robô que possa sair para passear com o meu cachorro, Pixel.

"Na realidade fizemos isso com um dos PR2", respondeu. "O robô se saiu muito bem, mas acho que o cachorro não gostou muito, porque voltou com o rabo entre as pernas." / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.