Bilal Hussein/AP
Bilal Hussein/AP

Um mês após explosão, equipes de resgate detectam batimentos cardíacos nos escombros de Beirute

Equipe do Chile detecta sinal de vida, mas busca é suspensa por risco de desabamento

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 17h37
Atualizado 03 de setembro de 2020 | 19h42

BEIRUTE - Na semana passada, um cão farejador francês detectou alguma coisa sob os escombros de um prédio residencial no bairro boêmio de Gemmayzeh, em Beirute – mas ninguém deu muita bola. Desde então, moradores irritados insistiam para que as autoridades enviassem equipes de resgate, porque acreditavam que existia alguém preso no meio do entulho.

Finalmente, na noite de quarta-feira, chegaram os socorristas da Topos Chile, equipe conhecida mundialmente por seu trabalho de resgate durante o terremoto no Haiti, quando conseguiu retirar com vida uma pessoa que ficou 27 dias debaixo de escombros.

Logo, um cão farejou um sinal de vida. Em seguida, scanners de temperatura e câmeras captaram batimentos cardíacos. Depois, um equipamento especial de resgate identificou a presença de dois corpos – de um adulto e outro menor, talvez de uma criança. 

Em um dos corpos, a parafernália detectou o que poderia ser um pulso com 18 batimentos por minuto, segundo Edward Bitar, da ONG Live Love Lebanon, que é parte do esforço de resgate. “Mas não temos certeza se há alguém vivo. Não temos nem certeza de que há corpos lá dentro. É isso que o equipamento está mostrando. Só que, às vezes, o equipamento mostra algo e não há nada.”

Rapidamente, uma equipe instalou holofotes no local e intensificou as escavações, que continuaram durante a noite. “Não queremos criar falsas expectativas”, disse Bitar. “Mas, se houver 1% de possibilidade de encontrar alguém, faremos tudo o que for possível.”

Mistério

Na noite desta quinta-feira, a busca foi suspensa, porque uma parede ameaçava desabar sobre a equipe de resgate. A população que acompanhava os trabalhos de perto, novamente, ficou contrariada. Os socorristas deixaram o local debaixo de gritos. “Tem alguém vivo ali”, disse a cineasta Nadine Labaki – indicada ao Oscar em 2019 –, no meio da multidão.

As buscas foram interrompidas, mas a cidade, que ainda vive o fantasma da explosão que matou cerca de 190 pessoas, há um mês, segue acreditando em milagres. Francisco Lermanda, chefe da equipe de resgate do Chile, disse ao jornal britânico The Telegraph que suspeitava que a pessoa presa sob os escombros estava em coma. 

“A respiração que nós detectamos é de um humano”, garantiu Lermanda. Segundo ele, seus homens conseguem tirar até 10 centímetros de entulho por hora. De acordo com o Departamento de Bombeiros de Beirute, os sinais de vida vinham de dois metros abaixo dos destroços. / WP, REUTERS e AFP

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