Um mês após terremoto, vítimas são lembradas no Haiti

Um mês após o terremoto de 12 de janeiro, milhares de haitianos lotaram igrejas na capital do Haiti, Porto Príncipe, para lembrar das vítimas do tremor de magnitude 7,0 na escala Richter, que matou mais de 200 mil pessoas. Líderes religiosos se reuniram para uma cerimônia ecumênica perto do Palácio Nacional, em homenagem aos mortos.

AE, Agencia Estado

12 de fevereiro de 2010 | 14h06

"Este dia é para honrar todos os que perdemos e olhar para o futuro", afirmou Percil St. Louis, um católico de 43 anos. "Nós todos precisamos nos unir como uma nação."

Um mês após o tremor de 12 de janeiro, o pior da história do Haiti, um enorme esforço internacional ainda não se refletiu em ajuda para a população do bairro de Marassa 14, em Porto Príncipe. As pessoas ali seguem precisando de comida, abrigo e segurança, buscando construir uma nova comunidade a partir do zero. Mais de 2.500 pessoas estão dormindo em meio à sujeira na área.

Os sobreviventes do Haiti ainda lutam para tentar refazer suas vidas. A comida ainda não chegou aos 3 milhões que dela necessitam - um terço da população haitiana. Problemas com infraestrutura continuam a atrapalhar o esforço internacional de ajuda, no qual apenas os EUA gastaram US$ 537 milhões.

No centro da capital, centenas de pessoas marcharam ontem do destruído Palácio Presidencial até a sede provisória do governo, pedindo a renúncia do presidente René Préval. O líder pouco tem sido visto no país desde o terremoto, e apareceu anteontem diante da imprensa para divergir de seu ministro das Comunicações sobre o número de mortos na tragédia.

Melhoria

Em meio ao caos, há óbvios sinais de melhorias. As Nações Unidas estabeleceram um centro no aeroporto da capital para coordenar os esforços. A cobertura de celular melhorou e postos de gasolina reabriram - isto ajudou a levar o trânsito a seu estado normal na capital. Outro problema é que grandes quantidades de entulho seguem empilhadas, apesar dos vários caminhões encarregados de limpar a cidade.

Em vilas como Marassa, crianças passam fome e famílias disputam abrigos condenados, que podem em breve ruir. Nessas comunidades, as pessoas estão cuidando umas das outras.

Comida

Há comida no Haiti, mas ela agora está cada vez mais cara e difícil de ser obtida. O preço do arroz importado, que é subsidiado, chegou aos níveis de abril de 2008, quando houve uma série de protestos no país pelo fato de os alimentos estarem muito caros. O arroz subiu 25% desde o terremoto, para US$ 3,71 o saco com 2,7 quilos, segundo a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O milho subiu mais de 25%, o trigo, 50%, e o carvão vegetal, usado na cozinha, teve 17% de alta.

Também hoje, o ministro da Agricultura do Haiti, Joanas Gue, discursou na sede do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em Roma. Gue falou sobre as necessidades de longo prazo de seu país. O Haiti tem sido ajudado por um grande esforço internacional após a tragédia, mas segue o desafio de alimentar a população no médio e no longo prazos.

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