Um mês depois da morte, Chávez ainda comove Venezuela

Túmulo de líder morto em 5 de março atrai visitantes em meio à campanha eleitoral no país

CARACAS, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2013 | 02h08

Os visitantes caminham na ponta dos pés em torno do túmulo de mármore que abriga os restos mortais de Hugo Chávez. Simpatizantes soluçam enquanto a voz do presidente venezuelano morto há um mês ecoa pelos alto-falantes. Turistas estrangeiros fotografam painéis que narram sua vida, desde a infância rural até a atuação como líder radical da Venezuela.

Um quartel do Exército em um morro de Caracas foi transformado em santuário e museu para o líder bolivariano.

Mesmo morto, Chávez continua dominando a política local, e a campanha para a eleição presidencial do dia 14 gira em torno da continuidade ou não do socialismo chavista.

Centenas de pessoas aparecem diariamente para prestar homenagem a Chávez. "Eles vêm de todos os lugares, de muitos países", disse Alba Antunes, de 75 anos, que trabalha como guia no imponente prédio centenário escolhido para receber o caixão de Chávez.

Chávez morreu de câncer, em 5 de março, após governar a Venezuela por 14 anos. Seu velório atraiu milhões de pessoas, numa comoção comparável à do funeral da argentina Eva Perón, há seis décadas.

Depois de um velório de dez dias, o corpo foi levado até o quartel que já funcionava como um memorial do frustrado golpe militar de 1992, que lançou a carreira política do então tenente-coronel Chávez.

Planos para embalsamar o corpo foram abandonados e ainda não está decidido se o presidente será enterrado definitivamente na sua cidade natal, Sabaneta, ou no grandioso Panteão Nacional, em Caracas.

O corpo atualmente repousa próximo à favela 23 de Enero, importante bastião do chavismo, e com vista para o palácio presidencial de Miraflores.

Para os críticos, a comoção pela morte de Chávez tem obscurecido os lados mais sombrios de seu governo: prisão ou exílio para os opositores políticos, gestão econômica caótica e um obsessivo e autoritário estilo de governar.

O presidente em exercício e herdeiro político, Nicolás Maduro, apresenta-se como "filho" ideológico de Chávez e sua campanha eleitoral tem como base a promessa de que manterá as políticas populares de assistência social.

O candidato da oposição Henrique Capriles diz que Maduro não passa de uma pálida imitação de Chávez, e é hora de seguir em frente.

Ao redor do sarcófago, dois enormes retratos de Chávez encaram duas imagens do herói da independência Simón Bolívar. Numa capela ao lado, fotos de Chávez rezando e segurando um crucifixo ladeiam o altar.

A maioria dos visitantes faz o sinal da cruz e toca rapidamente o jazigo preto e elevado. Embora os admiradores sejam maioria, alguns críticos também aparecem.

"Nunca fui chavista. Ele fez muito mal ao país e parece que todo mundo está esquecendo isso agora. Mas nunca demonstrarei desrespeito pelos mortos", disse o estudante de administração Antonio Rodríguez, de 24 anos, ao colocar sua mão sobre o mármore. / REUTERS

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