Um mês depois de terremoto na China, pais de vítimas lamentam

Pais agoniados lembraram naquinta-feira o devastador terremoto que atingiu a China háexatamente um mês, exigindo respostas sobre o desmoronamento deescolas e pedindo perdão às crianças mortas sob os escombros. Cerca de 25 pais reuniram-se ao redor de um monte depedaços de concreto e metal retorcido onde antes ficava aescola de Beichuan, uma das muitas destruídas pelo abalosísmico apesar de prédios e casas próximos terem resistido. Uma mãe queimou incenso no local, enquanto outros paispediam perdão às crianças soterradas. "Sua mãe lamenta tantoisso", gritou uma mulher de meia-idade lembrando-se de suaúnica filha, Chen Ya. "Não. Isso foi culpa minha. Eu lamentotanto", disse a avó da criança. O lamento dos pais colidia-se com a intenção do governo denão marcar a data, concentrando-se, de outro lado, nos esforçosde reconstrução e em mensagens conclamando ao patriotismo. Poucas famílias da Província de Sichuan (sudoeste), a maisatingida, escaparam de perder algum ente querido no terremotode 12 de maio -- que matou quase 70 mil pessoas segundo acontagem mais recente. Ainda há outros milhares desaparecidos eprovavelmente mortos. Beichuan, uma cidade de 30 mil moradores, foi abandonada enão deverá ser reconstruída. Sob os escombros de suasconstruções, há um grande número de cadáveres. Os milhares de crianças soterradas transformaram-se nolegado do desastre mais carregado em termos políticos,alimentando acusações de que a construção de escolas viu-seprejudicada por esquemas de corrupção e por uma falta deregulamentos rígidos. "Eles disseram que esse prédio era forte e à prova deterremotos. Mas, quando o vimos, o concreto parecia-se com umpó de talco e o ferro era tão fino quanto macarrão", afirmou MuQibing, cujo filho de 17 anos morreu junto com outros 1.200alunos. As ruínas de uma outra escola, em Juyuan, eram protegidaspor dezenas de policiais. E o acesso à cidade, localizada 50quilômetros da capital da província, Chengdu, estavainterditado por postos de controle que barravam a passagem dejornalistas estrangeiros. Os planos de montar um memorial para as centenas decrianças mortas ali viram-se frustrados pela polícia, quepercorreu as casas uma a uma advertindo os pais para que seafastassem do local, afirmaram testemunhas. "Queremos apenas lembrar deles neste dia", disse ZhaoDeqin, cujas filhas gêmeas de 15 anos, Yajia e Yaqi, morreramno terremoto. Em uma escola destruída de Wufu, onde centenas de criançastambém perderam a vida, cerca de 80 pais realizaram uma rápidacerimônia fúnebre debaixo de chuva, afirmaram alguns deles portelefone. A resposta do governo ao abalo sísmico -- uma rápidaoperação de ajuda e uma enxurrada de propaganda patriótica --conseguiu até agora receber um generalizado apoio da opiniãopública. No entanto, no momento em que se inicia a demoradafase de reconstrução, o governo deve ser testado pelaimpaciência de vítimas ansiosas para recomeçar suas vidas.

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