JOSEPH EID / AFP
JOSEPH EID / AFP

Um mês depois das explosões em Beirute: pontos para entender a crise no Líbano

Explosões deixaram 190 mortos, 6.500 feridos e 300 mil desabrigados; agora, país tenta se reconstruir e monta novo governo

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 11h58

BEIRUTE - Um mês depois das explosões que causaram destruição na região portuária de Beirute, a crise econômica e política que o Líbano já vivenciava antes da catástrofe se agravou. 

Embora esteja formando um novo governo, o país ainda enfrenta protestos, sofre com a pandemia do novo coronavírus, teve seu turismo prejudicado e vive um momento delicado na tentativa de superar a maior crise de sua história moderna. 

Confira abaixo alguns pontos sobre a situação atual no Líbano: 

Crise política

As explosões fizeram o gabinete do antigo primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, renunciar. O novo premiê, Mustapha Adib, realizou consultas nesta semana para formar um governo em tempo recorde. Ele sofreu pressão internacional para acelerar o processo. 

"Esperamos poder formar rapidamente um governo constituído por uma equipe homogênea", declarou Adib, em um dia de consultas com as bancadas parlamentares dos principais partidos. O processo de formação de governos no Líbano pode demorar meses devido a bloqueios políticos. 

Mas a situação é urgente para Mustapha Adib, ex-embaixador libanês na Alemanha, nomeado na segunda-feira. As reformas são vistas como urgentes para tirar o país de sua pior crise econômica em décadas.

Prejuízo bilionário em meio à pandemia 

A explosão causou um prejuízo de até U$ 4,6 bilhões em danos a residências e à infraestrutura pública e até US$ 3,5 bilhões em outras perdas, como o golpe na produção econômica. 

Os setores social, de habitação e de cultura foram os mais afetados, sofrendo danos que superam US$ 1,9 bilhão e US$ 1 bilhão, respectivamente, segundo estimativas divulgadas pelo Banco Mundial. 

Principal ponto de entrada para importação de alimentos, o porto de Beirute registrou uma queda na capacidade de lidar com as importações de cereais a granel para cerca de um quinto do nível antes da explosão.

Além disso, hospitais, centros de saúde e maternidades sofreram graves danos. Cerca de 4 mil mulheres grávidas com necessidades de cuidados pré-natais foram deslocadas da capital libanesa. Cerca de 640 edifícios históricos de importância cultural foram danificados pela explosão, 60 dos quais estão em risco de colapso. 

190 mortos e 300 mil desabrigados 

A explosão deixou ao menos 190 mortos, feriu 6.500 e outros 300 mil ficaram desabrigados em Beirute. A estimativa oficial é de que pelo menos 50 mil casas foram danificadas com as explosões. As equipes de resgate continuam trabalhando nos escombros em busca de sobreviventes. 

"Há 99% de possibilidade de não haver nada, mas mesmo que seja menos de 1% esperança, devemos continuar procurando", afirmou' Youssef Malah, um trabalhador da defesa civil. 

Aumento da pobreza e da fome 

A crise econômica, a pandemia de covid-19 e a explosão provocaram um crescimento no índice de pobreza. O Líbano vive a pior crise econômica e financeira de sua história moderna, com uma dívida externa girando em torno de 170% do PIB. O país importa cerca de 80% do que consome e hoje aproximadamente 55% das pessoas são consideradas pobres. 

Imigração

Alguns libaneses começaram a deixar o país. Uma pesquisa relatou um aumento de 36% nas partidas diárias de passageiros, enquanto a procura pela palavra "imigração" no Google atingiu um pico de 10 anos no Líbano.

Cerca de 25 mil trabalhadores da grande comunidade migrante do Líbano - principalmente da Síria, Etiópia, Bangladesh e Filipinas - foram afetados diretamente pela explosão, com 150 feridos e 15 mortos. Muitos são trabalhadores informais e perderam a pouca renda e os poucos bens que tinham conseguido no tempo em que vivem no país. 

Relembre o caso

No dia 4 de agosto, duas fortes explosões atingiram a região do porto de Beirute. Registradas em vídeos que rapidamente tomaram as redes sociais, elas foram sentidas em cidades vizinhas e até no Chipre, ilha que fica a 240 quilômetros de distância. Testemunhas relataram tremor e janelas quebradas em várias partes da capital do Líbano. 

As autoridades disseram que o acidente foi causado por cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas de forma irregular por anos no porto da capital. Nesta quinta-feira, o presidente libanês, Michel Aoun, ordenou que fossem feitos reparos na velha infraestrutura de reabastecimento do aeroporto de Beirute e pediu uma investigação após um relatório indicar que milhares de litros de combustível vazaram do sistema.

A substância é um fertilizante amplamente usado na agricultura - e já esteve ligada a outras explosões no passado. A carga havia chegado ao Líbano em setembro de 2013, a bordo de um navio de carga de propriedade russa com uma bandeira da Moldávia, e descarregada e colocada no armazém 12 do porto. / AFP, AP e Reuters 

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