Um morre e 358 são feridos durante protestos na Tailândia

Polícia usa gás lacrimogêneo contra manifestantes que exigem mudanças no sistema político do país

Associated Press e Reuters,

07 de outubro de 2008 | 13h32

Manifestantes que exigem a renúncia do governo e mudanças no sistema político tailandês enfrentaram violentamente a polícia, que usou bombas de gás lacrimogêneo para romper o cerco no Parlamento do país. Uma mulher de 20 anos foi morta durante os choques ocorridos nesta terça-feira, 7, em Bangcoc, e outras 358 pessoas foram feridas.  Surachet Sathitniramai, diretor do Centro Narenthorn - agência de resposta a desastres - informou que a mulher morreu em choques ocorridos diante do quartel-general da polícia local na noite desta terça-feira. Ele disse que a mulher, cuja identidade não foi revelada, sofreu ferimentos no peito e tinha uma das mãos quase decepada quando deu entrada no hospital onde foi socorrida. Mais cedo, um carro explodiu em Bangcoc, matando um homem que estava dentro do veículo. Os confrontos entre policiais e manifestantes tiveram início pela manhã, quando milhares de manifestantes que armaram barricadas diante do Parlamento para tentar impedir um discurso do primeiro-ministro Somchai Wongsawat. Os distúrbios levaram o vice-primeiro-ministro Chavalit Yongchaiyudh a renunciar. Somchai ficou pouco tempo no Parlamento e saiu furtivamente, para não encontrar os manifestantes. As Forças Armadas da Tailândia aceitaram colocar soldados nas ruas de Bangcoc para manter a ordem depois de um dia de conflitos. O coronel Sunsern Kaemkumnerd, porta-voz do Exército, rechaçou os rumores de que o país sofreria um novo golpe. Dois anos atrás, os militares tiraram do poder o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, em uma ação que não envolveu qualquer tipo de confronto armado. "Não vamos carregar armas e patrulharemos as ruas com os policiais", afirmou Sunsern à Reuters. Os opositores, liderados pela Aliança Popular pela Democracia, ocupam parte das instalações do primeiro-ministro desde fins de agosto. Somchai assumiu em 25 de setembro, mas tem despachado no aeroporto Don Muang, na capital tailandesa. Os manifestantes acusam Somchai de ser um fantoche do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em 2006 por um golpe militar. Somchai é cunhado de Thaksin. Os protestos começaram pela deposição do então primeiro-ministro Samak Sundaravej, também acusado de obedecer a Thaksin. Samak foi afastado em 9 de setembro por uma decisão judicial, por apresentar um programa culinário enquanto ocupava o cargo público - um conflito de interesses, segundo os magistrados.

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