Um negro na disputa pela Casa Rosada

Tática do personagem Omar Obaca é superar os candidatos reais com promessas mais absurdas

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2015 | 02h04

Em meio a tantas promessas de presidenciáveis recebidas com incredulidade pelos argentinos, a de repatriar Lionel Messi cai bem nas redes sociais. Não por ser mais factível, mas por ser menos hipócrita. Seu autor, Omar Obaca, é um personagem criado pelo canal de TV para web FWTV cuja cara apareceu repentinamente estampada em milhares de cartazes por Buenos Aires. "Não sou só mais uma cara bonita e negra", se apresenta Obaca em um dos vídeos que já tiveram mais de 1 milhão de reproduções.

O político de mentirinha, um ator contratado para encarnar o personagem, do qual não se sabe nome, idade ou mesmo se é argentino, de alguma forma entrou na campanha real - em visibilidade, supera a maioria.

Primeiro, ao expor a distância que um candidato dessa raça está do comando do país. Apenas 0,4% se apresentam como negros, segundo o censo de 2010. Testes genéticos mostram algum traço africano em 4% na capital, onde os negros chegaram a ser 30% após a independência, em 1810. Usados na linha de frente em guerras como a do Paraguai, dizimados pela febre amarela e diluídos entre os 6,6 milhões de imigrantes, os negros argentinos ficaram "invisíveis", termo usado por tratados antropológicos.

Nos últimos anos, imigrantes como o senegalês Mbengue Gaye, de 44 anos, mudaram levemente o cenário vendendo bolsas e bonés falsificados. "Vi o cartaz, mas isso é impossível. Os argentinos são loucos, é brincadeira", disse.

Obaca conseguiu popularidade também por prometer um "mundo ideal" que candidatos mostram como factível. Além de trazer de volta Messi, propõe colocar data de vencimento à certidão de casamento, asfaltar o poluído Riachuelo e distribuir uma bolsa-videogame.

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