Um país obcecado pela ameaça do terror

Análise: Gilles Lapouge

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h08

Os moradores de Toulouse, como os franceses em geral, interpretaram o incidente ocorrido ontem num banco como a extensão do abominável drama de março. O fato de um assaltante ter afirmado pertencer à Al-Qaeda e, de maneira bizarra, exigir a presença da força de elite da polícia que matou o terrorista Mohamed Merah justifica essa apreensão.

Mas o agressor aceitou negociar e libertou dois dos reféns. Foi preso quanto tentava escapar com os outros dois. O procurador da república garantiu que a ação não foi motivada por dinheiro mas por razões religiosas, embora não seja esta a opinião dos policiais. Eles descrevem o assaltante não como um islamista furioso, mas um sujeito indolente, amador.

A irmã dele disse que o irmão nunca manifestou preocupação religiosa, mas que desde a infância "tinha ódio". Outras indicações surgiram: ele não teria elos com a Al-Qaeda. Mas já foi tratado por desequilíbrio mental e é considerado um esquizofrênico. Que este indivíduo seja da Al-Qaeda, ou talvez um retardado, das duas hipóteses podemos tirar uma mesma lição: a França está obcecada, atormentada pela ameaça terrorista, pela pregação islamista. E após o terrível caso de Merah, muitos jovens o transformaram numa espécie de ícone, e alguns sonham com uma sorte tão gloriosa como a dele.

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