Um povo patriarcal, que não festeja aniversários

O Afeganistão vive em um estado de guerra desde o fim dos anos 70. Em 1979, o país foi invadido por tropas soviéticas, que permaneceram por quase uma década. A ocupação foi seguida por uma guerra civil, a chegada do Taleban ao poder e a invasão dos Estados Unidos em busca da Al-Qaeda e de Osama bin Laden.

Cláudia Trevisan *, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2014 | 02h01

O país é majoritariamente rural, com quase 80% da população vivendo no campo. Mesmo na capital, é evidente a influência do forte patriarcado rural. Muitos vivem em grandes complexos dominados pelo pai, aos quais vão se agregando as famílias dos filhos homens, na medida em que se casam.

Até a morte de seu pai, aos 102 anos, Haji Barat vivia em uma espécie de condomínio familiar com mais de 70 pessoas, que incluíam seus cinco irmãos, suas mulheres e seus filhos.

Hoje ele é o chefe de seu próprio complexo, com oito filhos, dois quais, dois casados e com filhos.

Filho de um camponês analfabeto, Barat não sabe o dia em que nasceu nem a idade exata que tem. "Talvez 42. Ou 43." A incerteza é acentuada por outra característica local: os afegãos não celebram aniversários.

* CORRESPONDENTE EM WASHINGTON, ENVIADA AO AFEGANISTÃO, FARÁ NOS PRÓXIMOS DIAS RELATO SOBRE O COTIDIANO DO PAÍS

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