Arquivo/AP
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Um revelador incógnito

Dono de um site especialista em vazar documentos, Julian Assange revela pouco sobre si mesmo

estadão.com.br,

22 de outubro de 2010 | 22h31

ESTOCOLMO- O australiano Julian Assange, cujo site especializado em publicação anônima de dados e documentos confidenciais de empresas, governos e instituições revelou nesta sexta-feira, 22, informações secretas sobre a guerra no Iraque, gosta de manter sua vida em segredo.

 

Criador e figura emblemática do Wikileaks e acusado pelo Pentágono de ser irresponsável, a última revelação do homem de 39 anos antes da de hoje foram 92 mil relatórios sobre a guerra no Afeganistão, que, entre outras informações, apontavam mortes de civis não contabilizadas e o apoio do serviço secreto paquistanês ao Taleban.

 

"Queremos três coisas: liberar a imprensa, revelar os abusos e salvaguardar documentos que fazem história", disse Assange à agência de notícias AFP em agosto. Em pouco tempo, ele se transformou no homem que faz a CIA tremer, o revelador de abusos, mas não gosta de revelar nada sobre si mesmo.

 

"Estamos ante organizações que não obedecem regras. Estamos ante agências de inteligência", garante Assange sobre os governos, empresas e instituições que são alvo dos vazamentos.

 

Ele sempre se recusa a dizer seu destino ou de onde está vindo, viaja de capital em capital se hospedando em casas de simpatizantes ou conhecidos, não dá seu número de celular, nem revela quando nasceu.

 

Nascido em 1971, sem revelar o dia, em Magnetic Island, noroeste da Austrália, Assange teve uma infância movimentada, tendo passado por 37 escolas, segundo contagem da imprensa australiana.

 

Em sua adolescência, ele foi um hacker habilidoso, até ser descoberto pela polícia de Melbourne. Para escapar da Justiça, teve que pagar uma multa e jurar que manteria um bom comportamento.

 

A polícia nunca descobriu se ele estava envolvido em um incidente em outubro de 1989, quando as telas dos computadores da Nasa foram repentinamente cobertas pela palavra "WANK" pouco antes do lançamento do foguete Atlantis.

 

Segundo Assange, ele foi "conselheiro de segurança, fundador de uma das primeiras empresas de serviços informáticos na Austrália, assessor tecnológico, investigador jornalístico e coautor de um livro".

 

Em 2006, fundou o Wikileaks, com "umas dez pessoas que vinham dos âmbitos dos direitos humanos, a imprensa e a alta tecnologia".

 

Islândia e Suécia, onde conta com apoios e está amparado por legislações favoráveis, são escalas privilegiadas em seu constante ir e vir por todo o mundo.

 

Na última segunda, no entanto, o governo sueco negou permissão de residência a Assange, onde ele é acusado de estupro por duas mulheres.

 

Na Islândia, ele ficou isolado durante semanas em uma casa com as persianas fechadas, para preparar com alguns parceiros sua primeira grande "exclusiva": um vídeo gravado pela câmera de um helicóptero militar americano em Bagdá em 2007, que mostra uma incursão que matou dois empregados da agência de notícia Reuters e de cerca de dez civis.

 

Segundo a revista americana New Yorker, foi Assange quem descodificou o vídeo militar, e qualificou a tarefa de "moderadamente difícil".

 

"Muitas vezes me perguntam: 'vocês verificam suas fontes?'. O que verificamos são documentos. Perguntamos: 'são seus esses documentos? Sim, não, talvez? E creio que se trata de uma exigência muito superior", diz.

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