Um Taleban sem líder

Isso significa que insurgentes leais ao mulá Omar podem passar para o Estado Islâmico

Eli Lake e Josh Rogin, Bloomberg

01 de agosto de 2015 | 02h01

Normalmente quando um líder terrorista como o mulá Omar do Taleban é dado como morto, é uma boa notícia para os que trabalham com contraterrorismo. Foi o caso de Osama bin Laden em 2011. O presidente Barack Obama vangloriou-se dessa vitória o tempo todo até a sua reeleição.

Mas, para especialistas e membros da inteligência dos Estados Unidos, a confirmação da morte do mulá Omar pode acabar beneficiando o Estado Islâmico, uma ex-franquia da Al-Qaeda no Iraque que hoje disputa com ela a lealdade dos jihadistas.

A história foi reforçada na quarta-feira depois de Haseeb Seddiqi, porta-voz do serviço de inteligência do Afeganistão, confirmar à imprensa que o mulá morreu em abril de 2013. Autoridades americanas declararam a jornalistas que a informação provavelmente é verdadeira, mas ainda não havia uma confirmação.

Richard Burr, presidente da comissão de inteligência do Senado, disse que a notícia ainda estava sendo verificada. Questionado sobre as possíveis implicações no caso, afirmou que "sem dúvida, isso muda a liderança do Taleban. Uma questão é saber até que ponto estava ativo e a outra há quanto tempo ele morreu".

Derek Harvey, oficial da inteligência militar aposentado, com profundo conhecimento do Iraque e Afeganistão, disse na quarta-feira que "correram notícias em 2013 de que ele estava morto, mas não foram confirmadas. Seu desaparecimento foi desmentido por algumas pessoas e nós acreditamos. Em 2002, 2003 e depois em 2009, 2010 e 2011 surgiram notícias similares e nenhuma delas foi confirmada".

Mas se Omar está morto, o fato é importante. Para Harvey, sua morte abrirá espaço para aqueles integrantes indecisos da Al-Qaeda desertarem e se juntarem ao EI. "Omar era reconhecido por Osama bin Laden e muitos outros na Al-Qaeda como o comandante dos fiéis", disse Harvey. Na prática, isso significa que diversos líderes da Al-Qaeda prometeram lealdade a Omar e agora se encontram livres para jurar lealdade a outros líderes ou grupos. E também para lutar entre si.

"Isso cria mais oportunidades para o Estado Islâmico", disse Harvey. Atuais membros da inteligência americana concordam com as declarações. A morte de Omar poderá intensificar os esforços do governo do Afeganistão para se reconciliar com o Paquistão, deixando um vazio de poder depois da eliminação do líder do Taleban que se opunha a tal compromisso. A desunião dentro do Taleban não é algo totalmente negativo./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

* Eli Lake e Josh Rogin são jornalistas

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