Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo
Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Um tour para estrangeiros no Uruguai com colheita de maconha e aulas por US$ 250

Atividade é ilegal, pois a lei aprovada em 2013 restringe a venda de maconha a uruguaios e residentes legais no país

Eloísa Capurro, especial para 'O Estado', O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2018 | 16h00

MONTEVIDÉU - Em uma casa de Montevidéu, um grupo de sete brasileiros divide histórias entre copos de cerveja. É uma noite de outubro e estão visitando o Uruguai apenas por um fim de semana. Poderia ser uma cena turística como qualquer outra, mas os visitantes estão na capital uruguaia para participar da Montevidéu Cannabis Cup, um concurso entre produtores de maconha que premia as melhores colheitas do país.

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Além disso, eles participam de um tour pelo qual pagaram US$ 250 cada um, que inclui a colheita de folhas da Cannabis sativa, uma visita a um clube de consumidores e amplas explicações sobre como plantar e colher a droga.

A atividade é ilegal e foi denunciada então pelo semanário local Búsqueda. Antes, o diário argentino La Naciónhavia informado sobre colheitas privadas para estrangeiros por um valor similar. O governo buscou sancionar o estabelecimento que as oferecia.

Segundo a lei que o Parlamento do Uruguai aprovou em 2013, a aquisição da maconha, por qualquer de suas vias, está restrita a uruguaios maiores de 18 anos ou residentes legais. No ano passado e logo que começou a venda da droga nas farmácias do país, a ministra do Turismo do Uruguai, Liliam Kechichian, reiterou em várias ocasiões que o governo não incentivaria nem permitiria o “turismo canábico”. 

Revisão

No entanto, alguns acadêmicos e movimentos sociais pedem que o tema seja debatido. Em uma pesquisa que o advogado uruguaio Pablo Galain realizou durante algumas semanas de janeiro de 2017 em um bairro turístico de Montevidéu, 63% dos turistas que se definiam como consumidores de maconha asseguraram que tiveram acesso à droga durante sua visita ao país.

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Consultado pelo Estado, o secretário da Junta de Drogas do Uruguai, Diego Olivera, lembrou que a lei uruguaia é “revolucionária” em relação à política de drogas, mas disse que há uma mensagem clara contra o turismo da maconha.

“É inevitável que a sociedade uruguaia e o sistema político em algum momento discutam a questão. É esperado que se discuta. Mas hoje não é uma prioridade. Nosso compromisso institucional é aplicar a lei tal qual ela existe. Quando os legisladores aprovaram esta lei por maioria havia o espírito de não afetar em nada os países vizinhos”, explicou. 

Em julho, antes do começo da venda em farmácias, a equipe de investigação Monitor Cannabis da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República estimava que a lei tinha tirado 20% do mercado da droga do narcotráfico. Segundo o grupo, no país de 3 milhões de habitantes são consumidas 34,5 toneladas de maconha por ano.

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